Eis o silencio que restaura!

 

«Maria, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra»

 

Para que nada me tire do silêncio interior, [manterei] sempre a mesma condição, o mesmo isolamento, o mesmo distanciamento, o mesmo despojamento. Se os meus desejos, os meus medos, as minhas alegrias ou as minhas dores […] não estiverem perfeitamente ordenados para Deus, não estarei sozinha e haverá ruído em mim; por isso, é preciso serenidade, repouso das potências, concentração do ser.

«Filha, escuta, vê e presta atenção; esquece o teu povo e a casa de teu pai. Porque o Rei deixou-se prender pela tua beleza» [Sl 45,11-12]. […] Esquecer o próprio povo parece-me difícil; porque aqui «povo» é todo este mundo, que faz, por assim dizer, parte de nós: é a sensibilidade, são as memórias, as impressões, etc. […] Quando a alma faz essa rutura, quando se liberta de tudo isso, o Rei fica prisioneiro da sua beleza. […] Vendo o silêncio que reina na sua criatura e considerando que está absolutamente recolhida […], o Criador fá-la passar por esta solidão imensa, infinita, [retira-a] para esse «lugar seguro» cantado pelo profeta (Sl 18,20), que é Ele próprio. […] «Ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração» (Os 2,16).

Ei-la, a alma entrada nessa vasta solidão em que Deus Se fará ouvir! São Paulo diz: «A palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas» (Heb 4,12). Portanto, será ela quem diretamente completará o trabalho de despojamento na alma. […] Mas não basta ouvir a palavra, é necessário guardá-la (Jo 14,23). E é guardando-a que a alma será «consagrada na verdade» (Jo 17,17); é esse o desejo do Mestre […], que prometeu àquele que guarda a sua palavra: «Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23) É toda a Trindade que habita na alma que a ama verdadeiramente, ou seja, que guarda a sua palavra.

Santa Isabel da Santíssima Trindade (1880-1906) carmelitaÚltimo retiro, 10.º-11.º dias

https://evangelhoquotidiano.org/PT/gospel

SILÊNCIO

O silêncio completa e intensifica a “solidão”. O silêncio é o caminho para transformar a “solidão” em realidade. “Muitas vezes me arrependi de ter falado”, disse Arsênio, “mas nunca de ter permanecido em silêncio”. A capacidade de silenciar é disciplina indispensável na vida espiritual. “Pode ser considerado uma cela portátil trazida conosco do lugar solitário para o meio de nosso ministério” missionário. O silêncio é a “solidão” praticada em ação. O silêncio é a morada da palavra e a ela dá força e fecundidade.

Os monges do deserto, distinguem três aspectos do silêncio. Todos eles aprofundam e fortalecem a idéia central de que o silêncio é o mistério do mundo futuro. Primeiro, o silêncio nos faz peregrinos. Segundo, guarda o fogo interior. terceiro, nos ensina a falar.

O silêncio nos faz peregrinos

A expressão: “Estar em peregrinação é estar em silêncio” revela a convicção dos monges do deserto de que o silêncio é a melhor expectativa do mundo futuro. A idéia fundamental desses ensinamentos de ascese é que falar nos envolve nos assuntos do mundo e é muito difícil envolver-se sem ser enredado e poluído por ele. Muitas vezes as palavras nos deixam com a sensação de derrota interior. Em suma, as palavras nos dão a sensação de termos parado tempo demais em uma das “cidadezinhas” que atravessamos em nossa viagem, de sermos motivados mais pela curiosidade que pelo serviço. As palavras quase sempre nos fazem esquecer que somos peregrinos chamados a convidar os outros a se juntar a nós na viagem. “O silêncio nos mantém peregrinos”.

O silêncio guarda o fogo interior

O silêncio protege e guarda o fogo interior das emoções religiosas. Esse calor interior é a vida do Espírito Santo dentro de nós. Assim, o silêncio é a disciplina pela qual o fogo interior de Deus é cultivado e mantido aceso. O que precisa ser guardado é a vida do Espírito dentro de nós. Em especial nós que queremos dar testemunho da presença do Espírito de Deus no mundo.

Como evangelizadores/as, nossa maior tentação é usar palavras demais. Elas enfraquecem nossa fé e nos deixam insensíveis. Mas o silêncio é disciplina sagrada, é guarda do Espírito Santo.

O silêncio nos ensina a falar

A palavra com poder vem do silêncio. A palavra que não está enraizada no silêncio é palavra fraca e impotente como “um metal que ressoa, um címbalo retumbante” (1Cor 13,1).   

Tudo isto só é verdadeiro quando o silêncio que dá origem à palavra não é vazio e ausência, mas plenitude e presença. Não é silêncio humano conseqüente da vergonha ou da culpa, mas o silêncio divino no qual o amor repousa em segurança.

As palavras criam comunhão, e portanto nova vida, apenas quando personificam o silêncio do qual emergem. “Logo que começamos a nos apoderar uns dos outros por nossas palavras e a usar palavras para nos defender ou ofender os outros, elas já não falam do silêncio. Mas, quando evocam a tranqüilidade curativa e reparadora de seu silêncio, poucas palavras são necessárias: muito é dito sem muito ser falado”.

Assim, o silêncio é o mistério do mundo futuro. Mantém-nos peregrinos e nos impede de ficarmos emaranhadas ou fixados nas ofertas da época vigente. O silêncio guarda o fogo do Espírito Santo que habita em nós. Permite-nos pronunciar uma palavra que participa do poder criador e recriador da Palavra de Deus.

Nouwen, Henri J.M. A espiritualidade do deserto e o ministério contemporâneo.  O caminho do coração. São Paulo: Loyola, 2000.

http://www.padremariojose.com.br/site/blog/silencio/

 

“Deus não dá ‘show’. Ele atua no silêncio e na humildade. Esta é a sua forma de atuar na história”.

Assim age o Senhor: faz as coisas de forma simples. Fala-nos silenciosamente ao coração. Recordamos na nossa vida as muitas vezes que ouvimos essas coisas: a humildade de Deus é o seu estilo; a simplicidade de Deus é o seu estilo. E também na liturgia, nos sacramentos manifesta-se a humildade de Deus e não o show mundano. Far-nos-á bem percorrer a nossa vida e pensar nas muitas vezes em que o Senhor nos visitou com a sua graça, e sempre com este estilo humilde, o estilo que também Ele nos pede para ter: a humildade”.

(Papa Francisco)

 

[..] Maria aparece nos Evangelhos como uma mulher silenciosa, que muitas vezes não compreende tudo o que acontece ao seu redor, mas que medita cada palavra e cada acontecimento em seu coração.

Esta é uma bela amostra da psicologia de Maria: não é uma mulher que deprime frente às incertezas da vida, especialmente quando nada parece estar indo no caminho certo. Nem é uma mulher que protesta violentamente, batendo no destino da vida, que muitas vezes revela uma face hostil. 

Em vez disso, é uma mulher de escuta: não se esqueça de que há sempre uma grande relação entre a esperança e a escuta. Maria é uma mulher que escuta. Maria saúda a existência como ela é entregue a nós, com seus dias felizes, mas também com a suas tragédias [..].”

Papa Francisco na catequese de 10/05/2017

Silencio que restaura

As vezes sentimos necessidade de descansar…

Sonhamos com montanhas, paisagens…

lagos, riachos, beira de mar…

A natureza fala de ti, meu Senhor!

Porem , nada se iguala…

Quando vens a mim na santa Eucaristia…

Neste momento…

O silencio se instala…O mundo se cala!

Eis o silencio que restaura!

(Sol)

 

 

Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor

Junto ao vosso coração passo horas agradáveis
E junto dele minha alma encontra descanso
Quando o coração está repleto de Vós e cheio de amor
A alma arde com fogo puro

Então no maior abandono a alma não sente solidão
Porque descansa em vosso seio

Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor

Ó solidão momentos da mais elevada companhia
Embora abandonada por todas as criaturas

Afundo-me toda no oceano de vossa divindade
E Vós ouvis ternamente as minhas confidências

Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor

 

Aprendei a ouvir no silêncio a voz de Deus,
que fala no mais fundo de cada um de nós.

(São João Paulo II)

 

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