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A amizade

 

Pelas ruas da cidade, pessoas andam no vai e vem
Não veem o cair da tarde, vão nos seus passos como reféns
De uma vida sem saída, vida sem vida, mal ou bem

Pelos bancos desses parques, ninguém se toca, sem perceber
Que onde o sol se esconde, o horizonte tenta dizer
Que há sempre um novo dia, a cada dia, em cada ser

Não é preciso uma verdade nova, uma ventura,
Para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir, feliz, que o amor esconde outro universo

Pelos becos, pelos bares, pelos lugares que ninguém vê
Há sempre alguém querendo
Uma esperança, sobreviver
Cada rosto é um espelho
De um desejo de ser, de ter

Não é preciso uma verdade nova, uma ventura,
Para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir, feliz, que o amor esconde outro universo

Cada rosto é um espelho
De um desejo de ser, de ter

Talvez quem sabe por esta cidade passe um anjo
E por encanto abra suas asas sobre os homens
E dê vontade de se dar aos outros sem medida
A qualidade de poder viver vida, vida
Vida, vida

“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé.

Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá também uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante.”

Eclesiástico 6:14-17

 

Eclesiástico 6, 5-17

5. Uma boa palavra multiplica os amigos e apazigua os inimigos; a linguagem elegante do homem virtuoso é uma opulência.
6. Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil.
7. Se adquirires um amigo, adquire-o na provação, não confies nele tão depressa.
8. Pois há amigos em certas horas que deixarão de o ser no dia da aflição.
9. Há amigo que se torna inimigo, e há amigo que desvendará ódios, querelas e disputas;
10. há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça.
11. Se teu amigo for constante, ele te será como um igual, e agirá livremente com os de tua casa.
12. Se se rebaixa em tua presença e se retrai diante de ti, terás aí, na união dos corações, uma excelente amizade.
13. Separa-te daqueles que são teus inimigos, e fica de sobreaviso diante de teus amigos.
14. Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro.
15. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé.
16. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo.
17. Quem teme ao Senhor terá também uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante.

 

Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro

A palavra de Deus é exuberante quando nos fala da amizade:

“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor achará esse amigo. Quem teme o Senhor terá também uma excelente amizade, pois o seu amigo lhe será semelhante”. (Eclo 6,14ss)

Amigo não é apenas um conhecido, colega ou companheiro. Não! Amigo é amigo. Se eu quisesse definir amigo e amizade teria de encontrar as palavras certas e o conceito exato, porque amigo não é uma coisa qualquer. É por isso que a Palavra de Deus nos diz que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro.

Um amigo pode nos transformar. E por que nos transforma? Porque antes de tudo o amigo nos ama como somos.

Ele consegue nos corrigir e, muitas vezes, só o amigo é capaz de fazer isto. O que o pai não consegue, o que a mãe não consegue, um amigo consegue fazer. Ele atinge o coração; ele chega naquele lugar em que ninguém consegue chegar.

E por que ele consegue chegar lá? Repito: porque o amigo nos ama como somos. É por isso que ele consegue nos transformar.

O amigo é capaz de dizer as coisas como elas são, ele consegue nos dizer as verdades que não queríamos ouvir, mas como o amigo é amigo, acabamos ouvindo. Muitas vezes, nos chateamos, afastamos, ficamos sem nos comunicarmos, mas passam as horas, os dias e logo a gente volta atrás, entende, acolhe, se dobra e tudo muda.

Às vezes brigamos, nos revoltamos, mas porque amigo é amigo, não conseguimos ficar longe. A amizade é mais forte que a briga, a revolta e, que bom que é assim! Muitas vezes, só a amizade é capaz de nos dobrar. Ter amigos é essencial! Ser amigo é o segredo da vida e da vitória. Porque na amizade há amor puro, amor desinteressado.

O verdadeiro amigo é um grande tesouro!

Pe. Jonas Abib

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Video de formação – Pe. Léo – É preciso estar no meio daqueles que estão com o Senhor

 

O Mestre da amizade

Quando analisamos o relacionamento entre amigos, logo imaginamos que o amor os sustenta.

Só o amor vivido e aprendido entre duas pessoas, no hoje, pode sustentar uma amizade para sempre. Amar se aprende amando, ser amigo se aprende sendo amigo.

Como ser amigo? A revelação sincera de si mesmo para o outro pode gerar uma amizade.
A ajuda adequada que recebemos do outro em momentos de aflição, de dor e de dúvidas também pode gerar uma amizade.

O encontro de duas pessoas – vivendo o mesmo ideal ou participando de uma mesma missão – pode gerar uma amizade.
A união de dois corações para formarem uma só carne também deve gerar uma amizade.

Deus une corações para poder gerar amizades.
Da mesma forma, Jesus, nosso Amigo de sempre, quer encontrar-se com você para gerar uma amizade.

Quando Deus une pessoas, Ele não o faz por acaso. Não. Ele tem um propósito: o de se utilizar do outro, da vida do outro, da experiência do outro, assim como de seu amor, para que cada um de nós chegue à maturidade de Cristo, o nosso melhor Amigo, que deu a Sua vida por seus amigos.

Podemos perceber a transformação de João, o apóstolo, a partir da amizade de Jesus. João era impetuoso, cheio de justiça, como nos relata São Lucas quando os samaritanos não deixaram Jesus entrar na terra deles, então João e seu irmão disseram: “Senhor, queres que mandemos fogo do céu para consumi-los.” (Lc 9,54). Jesus os repreendeu e os chamou de Boanerges, que significa filhos do trovão.

Depois, lendo o Evangelho de João, podemos constatar essa transformação: o discípulo impetuoso, orgulhoso, ciumento e julgador converteu-se em um homem humilde, misericordioso, submisso e amoroso.

Jesus, o Amor, o amigo fiel, fez de João o apóstolo do Amor, na sua velhice as pessoas vinham até ele para receber um conselho daquele que foi amigo íntimo de Jesus, e ele só lhes dizia: “Amai-vos uns aos outros”.

João foi transformado em um outro Jesus! Jesus devolveu a João a sua originalidade, criado à imagem e semelhança de Deus (conf. Gn 1,26). Que linda amizade!

Ser amigo é amar e deixar-se ser amado pelo outro, é estar junto com ele, especialmente nos momentos cruciais de nossa vida, como João esteve ao lado de Jesus na Sua crucificação. Ele foi o único discípulo que esteve presente naquele momento decisivo com Maria, a mãe de Jesus, Madalena e Maria, mulher de Cleófas. E, nessa hora, Jesus dá ao seu amigo o que Ele tinha de mais precioso: a Sua mãe. E dá à Sua mãe ao amigo mais amado: João.

Ao amigo nós damos o que de melhor há em nós e o que temos de melhor para lhes oferecer.

Deus os abençoe!

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A importância da verdadeira amizade

Amigo ou colega? 

“Você tem verdadeiros amigos? Não responda. Eu não estou falando colega. Eu não estou falando conhecido. Gente que me aplaude. Gente que me puxa o saco. Eu não estou falando disso. Isso é fácil. Se a pessoa precisar de você, ela vai atrás. 

Amizade interesseira? Ah, meu Deus, basta dar uma olhadinha agora, época de eleição, que você vai ver. O que aparece de gente… Eu não estou falando disso aí. Eu não estou falando dessa futilidade do mundo. Pra essa futilidade do mundo, eu já disse nesse palco aqui, não faz muito tempo, que Deus me deu a graça de cortar 99%. Faltam alguns, mas vou conseguir. Se Deus quiser! Quem diz ter muitos amigos, aqueles amigos de festa, só das coisas superficiais, só pra fazer folia… 

Quantos filhos chegam para mim e contam: Ah, pai, quando eu tinha dinheiro, quando eu tinha carro, eu tinha sempre amigo. Minha casa estava sempre cheia de gente. Os colegas iam lá pra gente ir pra zona, pra gente ir comprar droga. Sempre tinha amigo. Na hora que eu me contaminei, na hora que eu perdi tudo, na hora que eu fui preso, não apareceu ninguém.

Eu louvo a Deus as situações difíceis que já aconteceram em minha vida, porque são essas horas que mostram pra gente quem a gente é para os outros. Porque pra Deus, eu já sei. Por isso nunca peça para Deus: Senhor, tira os problemas da minha vida. Não. Peça para Deus: Senhor, dai-me a graça de superar os meus problemas.

Trecho da pregação Como bambus no Getsêmani.

 

A amizade (São Tomas de Aquino)

Uma das características mais notáveis da ciência moral que São Tomás, seguindo aqui a Aristóteles, prescreve dever ser ensinada aos que se preparam para a contemplação está no fato de que ela não se esgota com a aquisição das virtudes. Ao contrário (…) afirma que mais ainda do que as virtudes, pertence à ciência moral mostrar o que seja a verdadeira amizade entre os homens.

Há várias razões (…) pelas quais a amizade pertence ao âmbito da ciência moral que deve formar o aluno para a contemplação.

Primeiro, porque pertence à ciência moral tratar das virtudes; ora, a amizade não é uma virtude, mas a verdadeira amizade tem a virtude como sua causa.

Em segundo lugar, pertence à ciência moral a consideração de todas as coisas que são necessárias à vida humana, entre as quais é maximamente necessária a amizade, pois ninguém corretamente disposto pelas virtudes escolheria viver possuindo todos os demais bens exteriores sem os amigos.

Em terceiro lugar, a amizade concorre para o bem civil, ao qual se ordena a ciência moral, pois as cidades parecem se conservar pela amizade, e por isso mesmo é que os bons legisladores preocupam-se em conservar a amizade entre as cidades mais até do que a justiça, acerca da qual às vezes deixam de aplicar as penas para não dar origem a discórdias.

Em quarto lugar, porque se algumas pessoas forem amigas, não necessitarão da justiça, pois um amigo é um outro si mesmo, e não há justiça para consigo mesmo, já que pertence à natureza da justiça o ser a um outro; porém, se houver pessoas que sejam justas, ainda assim necessitarão da amizade.

Finalmente, a amizade deve ser objeto da ciência moral não apenas porque é algo necessário à vida humana, mas também porque é um bem em si mesmo.”

Três tipos de amizade

“Existem três tipos de amizade, na medida em que existem três tipos de bens: o bem honesto, o bem útil e o bem deleitável.

Chama-se bem honesto ao bem apetecido pelo apetite racional por causa deste bem em si mesmo; chama-se bem deleitável ao bem apetecido pelo apetite sensível por causa deste bem em si mesmo; chama-se bem útil ao bem apetecido não por causa dele mesmo, mas por causa de um outro, honesto ou deleitável, que não pode ser conseguido senão através do útil.

Correspondendo a estes três modos de bem, haverá também três modos de amizade, a amizade por causa do bem da virtude, a amizade por causa do bem deleitável, e a amizade por causa do bem útil.

Segundo estas três espécies de amizade, os amigos podem se querer bem mutuamente segundo o que amam; os que se amam por causa da virtude querem para si mutuamente o bem da virtude; os que se amam por causa do útil querem para si mutuamente os bens úteis; os que pela deleitação, os bens deleitáveis.

As amizades útil e deleitável são amizades por circunstancialidade; naqueles que se amam mutuamente por causa da utilidade, um não ama o outro por causa dele mesmo, mas na medida em que do outro recebe para si algum bem; coisa semelhante ocorre naqueles que se amam por causa da deleitação, onde um ama o outro somente na medida em que é a si deleitável.

As amizades por causa do útil e do deleitável são amizades por causa de coisas que são contingentes a quem se ama; quando, portanto, aqueles a quem se amava deixam de ser úteis ou deleitáveis, seus amigos cessam de amá-los.

A perfeita amizade é aquela que é dos bons e dos semelhantes entre si segundo a virtude. Os amigos segundo a virtude são homens bons em si mesmos, e não por acidente, porque a virtude é uma perfeição que faz o homem ser bom, pelo que tais amigos se quererão bem segundo si mesmos e não por causa de alguma circunstância. Pela mesma razão a amizade segundo a virtude é duradoura; porque tais amigos se amam entre si por serem bons, e, conseqüentemente, a amizade entre eles permanece enquanto durar a virtude. Ora, a virtude é um hábito permanente e não facilmente mutável; de onde que a amizade por causa da virtude é duradoura.

Ademais, a semelhança, que é o que faz e conserva a amizade, é máxima entre os virtuosos; de fato, eles permanecem semelhantes a si mesmos, porque não são facilmente mudados de uma em outra coisa, e também permanecem na amizade que possuem entre si; já os homens maus não possuem nada de firme e estável em si mesmos, porque a malícia, na qual se obstinam, é detestável segundo si mesma, e assim os seus efeitos variam na medida em que nada encontram em que a vontade possa repousar, de onde que nem permanecem durante muito tempo semelhantes a si mesmos, ao contrário, querendo o contrário das coisas que anteriormente queriam, por pouco tempo permanecem amigos, isto é, somente enquanto gozam da malícia na qual concordam.

As amizades por causa da virtude, porém, são raras, porque esta amizade o é entre pessoas virtuosas e poucos são virtuosos. Por causa da deleitação e da utilidade podem-se tornar mutuamente amigos homens de quaisquer condições, tanto bons como maus, mas segundo a amizade perfeita, pela qual os homens se amam por causa de si mesmos, somente os homens bons podem se tornar amigos.”

Fonte: Texto publicado no site Introdução Ao Cristianismo segundo a obra de
Santo Tomás de Aquino e Hugo de São Vitor. Disponível em: http://www.accio.com.br/Nazare/1946/efp5-18.htm

 

ORAÇÃO PELOS AMIGOS

Senhor, quão poucos são os verdadeiros amigos, porque somos imperfeitos, limitados ! Muitas vezes decepciono-me, esquecida(o) de que sou eu quem erra quando espero deles uma perfeição, uma santidade e um perfeito amor o qual somente Vós possui e mesmo aqueles que Vos amam verdadeiramente, são falhos, porque humanos.

Fazei-me, obstante as dificuldades, bondosa(o) e verdadeiramente amiga(o) para com todos, sem nada esperar, nem mesmo um só agradecimento. Sois, Senhor, o melhor e mais perfeito amigo entre todos os meus amigos. Vós que me amais com um amor perfeito, ensinai-me a amar com o Vosso coração, a olhar com Vossos olhos e a viver sempre como testemunha digna da profunda amizade e amor que sempre tivestes e tendes para comigo. Amém.

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