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Virgem Maria, feliz serei, se soube acompanhar-vos com minha cruz tão pesada, e eu, pecador, que tenho merecido o inferno, recusarei carregar a minha?

 

 

O céu, a morte, o purgatório… O que são os Novíssimos?

 

Nos Livros Santos chamam-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no fim da vida: a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja apresenta-os de modo especial durante o mês de novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar nestas realidades.

 

1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida?

 

purgatório1O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre».

Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor».

Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022

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2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu?

O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado supremo e definitivo da felicidade”. S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9).

Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.

Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. É Cristo que, pela sua morte e Ressurreição, nos “abriu o céu”. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os que chegam ao céu vivem “n’Ele”, mais ainda, encontram ali a sua verdadeira identidade.

Catecismo da Igreja Católica, 1023-1026

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3. O que é o purgatório? É para sempre?

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, embora estejam certos da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, para alcançarem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu. A Igreja chama purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é completamente diferente do castigo dos condenados.

Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que a Escritura fala: “Por isso [Judas Macabeu] mandou fazer um sacrifício expiatório pelos mortos, para ficarem livres do pecado” (2 M 12, 46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios por eles, em particular o sacrifício eucarístico (cf. DS 856), para, uma vez purificados, poderem chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência pelos defuntos.
Catecismo da Igreja Católica, 1030-1032

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4. O inferno existe?

Significa permanecer separados d’Ele – do nosso Criador e nosso fim – para sempre pela nossa escolha própria e livre. Este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados é o que se designa com a palavra inferno.

Morrer em pecado mortal, sem estar arrependido nem acolher o amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre.

anime-purgatorioO ensinamento da Igreja afirma a existência do inferno e da eternidade. As almas daqueles que morrem em pecado mortal descem aos infernos imediatamente depois da morte e ali sofrem as penas do inferno, “o fogo eterno”. A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus em quem unicamente o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e pelas quais aspira.

Jesus fala frequentemente da geena e do fogo que nunca se apaga, reservado para os que, até ao fim da vida, recusam acreditar e converter-se, e onde se pode perder ao mesmo tempo o corpo e a alma. A pena principal do inferno é a da separação eterna de Deus.

As afirmações da Escritura e os ensinamentos da Igreja a propósito do inferno são um chamamento à responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade em relação ao destino eterno. Constituem também um apelo urgente à conversão: “Entrai pela porta estreita porque é larga a porta e espaçoso o caminho que leva á perdição, e são muitos os que entram por ela, mas como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à Vida, e são poucos os que a encontram” (Mt 7, 13-14).

Catecismo da igreja Católica, 1033-1036

 

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5. Quando será o juízo final? Em que consistirá?

A ressurreição de todos os mortos, “dos justos e dos pecadores” (At 24, 15), precederá o Juízo final. «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e (…) os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então, Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos […]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. […] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46).

O Juízo final sucederá quando vier o Cristo glorioso. Só o Pai conhece o dia e a hora em que terá lugar, só Ele decidirá da sua vinda. Então Ele pronunciará por meio do seu Filho Jesus Cristo, a sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua Providência terá conduzido todas as coisas até ao seu fim último. O Juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e que o seu amor é mais forte que a morte (cf. Ct.8, 6).

A mensagem do Juízo final apela à conversão enquanto Deus dá aos homens ainda “o tempo favorável, o tempo de salvação” (2 Co 6, 2). Inspira o santo temor de Deus. Compromete para a justiça do Reino de Deus. Anuncia a “bem-aventurada esperança” (Tt 2, 13) do regresso do Senhor que “virá para ser glorificado nos seus santos e admirado em todos os que tiverem acreditado” (2 Ts 1, 10).

Catecismo da Igreja Católica, 1038-1041

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6. No final dos tempos Deus prometeu céu novo e uma nova terra. Que devemos esperar?
A Sagrada Escritura chama “céus novos e nova terra” a esta renovação misteriosa que transformará a humanidade e o mundo (2 P 3, 13; cf. Ap 21, 1). Esta será a realização definitiva do desígnio de Deus de “fazer com que tudo tenha Cristo como Cabeça, o que está nos céus e o que está na terra” (EF.1, 10).

Para o homem esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e de que a Igreja peregrina era “como que o sacramento” (LG 1). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a Cidade Santa de Deus. Já não estará ferida pelo pecado, pelas manchas, pelo amor próprio, que destroem ou ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica de Deus será a fonte imensa de felicidade, de paz e de comunhão mútua.

“Ignoramos o momento da consumação da terra e da humanidade, e não sabemos como o universo se transformará.

Certamente, a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa, mas é-nos ensinado que Deus tem preparada uma nova morada e uma nova terra em que habita a justiça e cuja bem-aventurança cumulará e superará todos os desejos de paz que se surgem nos corações dos homens” (GS 39).

“Não obstante, a espera de uma nova terra não deve debilitar, mas antes avivar bem a preocupação por cultivar esta terra onde cresce o corpo da nova família humana que pode apresentar já, de certo modo, um esboço dos novos tempos. Por isso, embora se tenha de distinguir cuidadosamente o progresso terreno do crescimento do Reino de Cristo, contudo, o primeiro, na medida em que pode contribuir para ordenar melhor a sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus” (DS 39).
Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049

 

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Contemplar o mistério

jose maria escriva 10940531_879579252103430_4520495865198307906_nEnquanto aqui vivemos, o reino assemelha-se à levedura que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada.

Quem compreender o reino que Cristo propõe, reconhece que vale a pena jogar tudo para o conseguir: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro encontrado no campo.

O reino dos céus é uma conquista difícil e ninguém tem a certeza de o alcançar, embora o clamor humilde do homem arrependido consiga que se abram as suas portas de par em par.
Cristo que passa, 180

http://www.pt.josemariaescriva.info

 

 

 

PURIFICAÇÃO

O Catecismo Católico deixa claro que a purificação das Almas é feita no Purgatório, um local reservado onde cada Alma paga a sua dívida de amor com o CRIADOR. O Papa João Paulo II define muito bem afirmando que a Purificação: “deixa a Alma num estado totalmente limpa”. Quando uma pessoa falece, sua missão terrestre acabou ela não tem mais nenhum meio para alcançar por seus próprios atos, qualquer merecimento diante de DEUS.

O corpo se transforma em pó e a Alma alcançará o Céu ou irá para o Inferno. O que normalmente ocorre é que antes dela alcançar o Céu será necessário a alma se purificar, prestando contas de sua vida a Justiça Divina que atua em igual intensidade da misericórdia de DEUS. Assim, somente passará pela purificação as Almas dos Justos, ou seja, aquelas Almas que não merecem o inferno. Em vida elas souberam cativar a amizade do SENHOR e viveram como pessoas de bem, exercitando o direito, a justiça e o amor a DEUS, embora tivessem também os seus pecados. Desse modo, passando pelo Purgatório terão o ensejo de alcançar à santidade exigida para entrar no Paraíso Divino.

O pecado produz um duplo efeito na Alma tornando-a merecedora: da “pena eterna” e da “pena temporal”. A primeira torna a Alma incapaz da Vida Eterna, privando-a da comunhão e do convívio com DEUS. Para entender bem a segunda pena, lembremos que todo pecado, mesmo o venial, acarreta também uma espécie de “mancha do apego ao mal” nas criaturas, exigindo uma “purificação” aqui na terra ou após a morte no “Purgatório”. Esta purificação liberta a Alma da chamada “pena temporal” do pecado, que é denominada por alguns teólogos de “débito de sofrimento”.

A culpa merecedora da “pena eterna” é perdoada pelo Sacramento da Penitência ou Confissão, mas a “dor”, ou seja, a “pena temporal” permanece na Alma como um “débito remanescente do pecado” e terá que ser sofrido na vida presente ou na vida futura, porque é uma espécie de “sombra” que intercepta a Visão de DEUS e se torna um obstáculo para a união da Alma com o seu CRIADOR.

O fiel evitará as chamas da “purificação” se pagar o seu “débito de sofrimento” em vida, através de penitências, atos de expiação e reparação, por renúncia , também por meio da mansidão evangélica, do cultivo da paciência, do exercício fraterno da piedade e do auxílio misericordioso.

É bom lembrar, que cada pessoa recebe ao nascer uma missão e deverá se empenhar em cumpri-la conforme a Vontade do SENHOR:

“Temos de realizar as obras Daquele (CRIADOR)que Me enviou, enquanto é dia (enquanto estou vivo); vem à noite (quando estarei morto), quando ninguém pode trabalhar”. (Jo 9, 4)

As palavras de JESUS que São João transcreve no Evangelho, dão uma dimensão real da necessidade de procurarmos em vida realizar dignamente e da melhor maneira, a missão que o PAI ETERNO nos confiou. Assim, realizar as obras e buscar o perdão de nossos pecados, porque depois, vem à noite (a morte), quando mais nada poderemos fazer para alcançarmos méritos diante do SENHOR. Se isto não for feito convenientemente, teremos que limpar primeiro o nosso espírito através de uma Purificação, para podermos alcançar a felicidade maior de encontrar DEUS.

Almas-do-purgatório2Esta realidade sinaliza que a “purificação” é necessária para a entrada no Céu. Isto porque, pelos fatores adversos que surgem no cotidiano, é raro uma pessoa alcançar uma santidade em vida que mereça após a morte, entrar diretamente no Céu. Normalmente deve acontecer uma passagem pelo Purgatório para satisfazer a Justiça Divina, que é absolutamente igual para todas as pessoas.

A duração e a intensidade das penas são definidas no momento, após a morte, e cada uma delas espelha o número e à gravidade das faltas que não foram expiadas pelo fiel em vida. São Mateus no seu Evangelho esclarece o assunto reproduzindo as palavras de JESUS: “…dali (da purificação) não sairá, enquanto não pagar o último centavo”. (Mt 5, 26) Entretanto, sem qualquer prejuízo para a Justiça de DEUS, a Misericórdia do SENHOR sempre se manifesta concordando e promovendo a redução das penas, mediante as preces e os sacrifícios da Igreja Militante que são feitos em sufrágio das Almas que estão no Purgatório.

As Almas que estão passando pela “purificação”, nada podem fazer para diminuir as suas penas, mas nós podemos ajudá-las através das nossas orações e boas obras.

 http://apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com/prepu.html

 

 

 

 

Elevado na cruz, Ele salvou o mundo

jesus cruz cristo10Em Cristo, Irmão, vai cumprir-se a promessa que o Senhor fizera pelo Profeta Jeremias: “Eis que virão dias em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança: imprimirei Minha lei em suas entranhas e hei de inscrevê-la em seu coração. Todos Me reconhecerão, pois perdoarei sua maldade e não mais lembrarei o seu pecado” (cf. Jr 31,31-34).

Eis, Irmão: é na morte de Cristo que judeus e gentios entrarão para a nova e eterna Aliança no sangue do Senhor! Quanto somos valiosos, quanto custamos em dores e sacrifício, em doação e trabalhos ao Senhor! Quanto deveríamos amar Àquele que nos amou até a morte e morte de cruz! Por isso mesmo São Pedro exclamará: “Sabeis que não foi com coisas perecíveis, com prata ou com ouro, que fostes resgatados da vida fútil que herdastes dos vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo” (1Pd 1,18).

E, no entanto, Caríssimo em Cristo, é a cruz do Senhor, é Seu sacrifício amoroso ao Pai por nós, o critério do julgamento do mundo. Como dizia o Santo Padre Bento XVI, não são os grandes, os crucificadores, que salvam, mas o pobre e impotente Crucificado: “É agora o julgamento deste mundo. Agora o Chefe deste mundo vai ser expulso, e Eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”.

Compreende, meu Caro, o que o Senhor está dizendo? Sua cruz é o critério do julgamento do mundo: tudo aquilo que não couber na cruz, tudo aquilo que fugir da lógica da cruz, é lixo, é palha para ser queimada!

É o amor manifestado e derramado na cruz que vence Satanás, que vence o pecado, que vence a morte e nos dá a vida plena. Não é a força, o sucesso, as razões humanas, o prestígio que salvam!

Eis a loucura de Deus: é Cristo elevado na cruz quem libertará os gregos que estavam do lado de fora, sem poder entrar no povo da antiga aliança. Cristo morrerá por eles, por nós, para que todos, atraídos a Ele, formemos um novo povo, a Igreja, povo da Nova e Eterna Aliança, selada no sacrifico do Senhor, neste mesmo Sacrifício Eucarístico que neste sagrado Domingo celebraremos nos ritos da sagrada Liturgia!

Quanta bondade, quanta misericórdia! Que dom tão grande recebemos do Senhor! Na cruz, de braços abertos, o Salvador nosso une judeus e pagãos num só povo, o novo Povo, a Igreja, Sua amada esposa una, santa, católica e apostólica!

É este, Caríssimo, o mistério que a Palavra do Senhor nos convida a contemplar neste último Domingo antes do início da Grande Semana.

Mas, do alto da contemplação, o Senhor nos surpreende com um convite, um desafio, quase que uma ordem inesperada: “Se alguém Me quer servir, siga-Me, onde Eu estou estará também o Meu servo”. – Nós queremos, sim, Te servir, Senhor nosso! Dá-nos a força de Te seguir até onde estás: estás na cruz e estás na glória. Jamais chegaremos a esta sem passar por aquela, porque quem não ama a Tua cruz não verá a Tua luz, a luz da Tua glória!

Senhor, concede-nos, como fruto da santa Quaresma, um coração generoso para ir contigo, fazendo, como Tu, a vontade do Pai na nossa vida! Senhor, dá-nos a graça de unirmo-nos mais intensamente a Ti nestes benditos e santos dias que se aproximam, nos quais faremos memorial nos santos mistérios, da Tua Paixão, Morte e Ressurreição, pelas quais fomos salvos e libertos! “Dá-nos caminhar com alegria na mesma caridade que Te levou a entregar-Te à morte no Teu amor pelo mundo”. A Ti a glória, ó Cristo Deus, hoje e para sempre! Amém.

Escrito por Dom Henrique

http://costa_hs.blog.uol.com.br

 

 

 

 

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Conhecer a Cristo sofrendo com Cristo

Olhemos para frente e confiemos no amor do Senhor! Mas, para que nossa união com Cristo não seja uma ilusão e uma mentira, que estejamos prontos a participar do seu sofrimentos (olhai bem que os sofrimentos dele são aqueles que se manifestam na nossa vida!), a conhecer por experiência o mistério de sua cruz para, assim, participarmos também da força regeneradora da sua bendita ressurreição.

Recordai a palavra de São Paulo, o seu programa de vida: “conhecer a Cristo, experimentar a força de sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos”. Seja este, meus irmãos no Senhor, o fruto do nosso caminho de Quaresma: ter tal união com o Salvador, que estejamos em comunhão com os seus sofrimentos e possamos experimentar em nós o poder da sua ressurreição, que nos dá uma vida nova, como a da adúltera, renovada pelo perdão do Salvador. A ele a glória hoje e para sempre. Amém.

Escrito por Dom Henrique

 

 

 

No Seu sangue fomos salvos

 

Tpes cruzantas vezes já escutamos falar do sangue de Jesus e do seu poder salvador! A Primeira Epístola de São João afirma claramente que “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” (1,7) e a Primeira Epístola de São Pedro ensina claramente que “fostes resgatados da vida fútil que herdastes dos vossos pais pelo sangue de Cristo, com de um cordeiro sem defeitos” (1,19). Em suma, é doutrina do Novo Testamento todo, é fé da Igreja que pelo sangue de Cristo fomos salvos e libertos. Saudando o Cristo morto e ressuscitado, o Apocalipse assim se exprime: “Foste imolado e, por Teu sangue, resgataste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação” (5,9).

Mas, por que esta verdadeira fixação no sangue? Por que a sua importância? Não parece algo mágico, que um líquido biológico possa salvar, dando vida à humanidade? Não estamos diante de algo repulsivo à razão humana, algo meio ridículo e primitivo, próprio da religião tribal do antigo Israel, inaceitável e incompreensível para nós hoje? Não estaríamos ainda às voltas com a imagem de um deus sádico, mau, vingativo, que provoca o sofrimento e somente se compraz e se sacia com sangue, com vingança? São perguntas sérias, que podem colocar em xeque a seriedade do cristianismo… Respondê-las nos faz compreender o cerne da nossa fé e nos ajudará muitíssimo a bem viver as celebrações da Santa Semana que se aproxima.

mãos cruzPara compreendermos tudo isto, é necessário primeiro entender o que significa o sangue na Sagrada Escritura, de modo particular no Antigo Testamento. O Pentateuco explica: “A vida da carne está no sangue. E este sangue Eu vo-lo tenho dado para fazer o rito de expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois é o sangue que faz expiação pela vida” (Lv 17,11). Compreendamos: Deus é vida e a vida do homem é estar em comunhão com Deus, aberto a Ele, amando-O e buscando na vida concreta a Sua santa vontade. Quando o homem peca, rebela-se contra Deus, fecha-se para Ele. Na raiz de todo pecado está a ilusão de que a vida é nossa e podemos fazer dela aquilo que queremos. Ora, quando o homem peca, afastando-se de Deus, ele perde o sentido da vida, perde a própria vida, cai numa situação de morte. Claro que, aqui, não se trata de uma morte física, mas da morte da alma, morte porque a vida perde o sentido e, passando pela morte física, pode resultar na morte eterna, que é a perda de Deus para sempre. Por isso mesmo, nos ritos do antigo Israel, o pecado somente poderia ser remido com um sacrifício no qual o sangue (a vida) da vítima fosse derramado: “Segundo a Lei, quase todas as coisas se purificam com sangue; e sem efusão de sangue não há remissão” (Hb 9,22). E o autor sagrado afirma também: “Nem mesmo a primeira aliança foi inaugurada sem efusão de sangue” (Hb 9,18).

Quando o pecador oferecia um animal como vítima pelo pecado, estava reconhecendo (1) o seu pecado, (2) o senhorio absoluto de Deus sobre toda a sua vida, (3) e que seu pecado leva a uma situação de morte, representada na morte da vítima, que tinha seu sangue derramado. É como se a vítima substituísse o pecador que, pecando, afastou-se do Deus fonte da vida e aproximou-se da morte. Podemos afirmar, então, que o sangue derramado significa a vida doada, a vida perdida, a vida tirada… Não esqueçamos: “A vida da carne (a vida de todo ser vivente) está no sangue” (Lv 17,11): perder este é perder aquela! Mas, há um problema sério com esses sacrifícios: os animais oferecidos como vítimas não tinham nenhuma consciência do que estava acontecendo, não podiam oferecer sua própria vida como um ato de amor e louvor a Deus. Eles apenas representavam o pecador e eram oferecidos no lugar dele. Por isso, a Escritura constata que “é impossível que o sangue de touros e bodes elimine os pecados” (Hb 10,4).

Agora, vamos a Jesus. Toda a Sua vida, desde momento da Encarnação, foi um ato de amor e obediência ao Pai em nosso favor: “Tu não quiseste sacrifício e oferenda. Tu, porém, formaste-Me um corpo. Holocausto e sacrifício pelo pecado não foram do Teu agrado. Por isso Eu digo: Eis-Me aqui! Eu vim, ó Deus, para fazer a Tua vontade!” (Hb 10,5-7). O Filho eterno fez-Se homem para gastar toda a Sua vida fazendo a vontade do Pai. E esta vontade é salvar a humanidade, dando-lhe a vida eterna (cf. Jo 6,37-39).

Assim, Jesus foi pes jesus3437569331_5ee5b8bc5aderramando Sua vida (= Seu sangue), num amor infinito ao Pai por nós: na pobreza de Belém, na vida miúda de Nazaré, nas andanças pelas estradas da Galiléia, nas curas, ensinamentos, nas contradições, nas noites inteiras em oração ao Pai… Jesus foi Se dando, Se gastando, como uma vida vivida para Deus em benefício da humanidade. Esta doação de toda uma existência, chegou ao máximo na cruz.

O sangue que Ele iria derramar até a morte nada mais é que o símbolo de uma vida – a vida do Filho de Deus feito homem – entregue em favor da humanidade! O sangue derramado significa, então, a vida dada amorosamente em nosso favor, como vítima de reparação pelo nosso pecado. Porque o homem pecou e caiu numa triste situação de perdição, de desencontro, desaprumo e morte, o Filho de Deus deu Sua vida até a morte para da morte nos arrancar: “Isto é o Meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados” (Mt 26,28). Cristo Jesus, dando Sua vida em total obediência amorosa ao Pai por nós, apaga o nosso pecado, restitui-nos a vida e faz de nós um povo nascido de uma nova aliança com Deus no Seu sangue. Dizer que o sangue de Cristo nos salva é dizer com Sua vida dada em obediência amorosa ao Pai nos alcançou a salvação: “Eis que Eu vim, ó Deus, para fazer a Tua vontade. – é graças a esta vontade que nós somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo” (Hb 10,8.10).

SANGUE E AGUA hqdefaultOlhar o sangue de Jesus, ser banhado no sangue de Jesus, beber o sangue de Jesus, significa unir-se a Jesus, fazendo da nossa vida uma participação na Sua entrega de toda a existência ao Pai. Por isso mesmo são Pedro que nós participamos da “bênção da aspersão do Seu sangue” (1Pd 1,2).

Então, olhemos o Cristo que Se gastou, que Se derramou amorosamente a vida toda até a cruz; sejamos-Lhe gratos porque Seu sangue, Sua vida derramado por amor nos salvou. Como cristãos, somos unidos a Ele pelo Batismo e a Eucaristia, para fazer de nossa vida uma entrega com Ele, por Ele e como Ele. Assim viveremos uma vida nova já agora, vida liberta da morte e que será ressurreição para a vida eterna. “Àquele que nos ama, e que nos lavou de nossos pecados com o Seu sangue, e fez de nós uma Realeza e Sacerdotes para Deus, Seu Pai, a Ele pertencem a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém. (Ap 1,5s).

Escrito por Dom Henrique

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 Nossa Senhora das dores

Ó minha Mãe dolorosa! Pelo merecimento da dor que sentistes, vendo vosso amado Jesus conduzido à morte, impetrai-me a graça de também levar com paciência as cruzes que Deus me envia.

Feliz serei, se soube acompanhar-vos com minha cruz tão pesada, e eu, pecador, que tenho merecido o inferno, recusarei carregar a minha?

Ah! Virgem Imaculada, de vós espero socorro para sofrer com paciência todas as cruzes. Amém.

São Afonso de Ligório

 

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ORAÇÃO

Salve Santa Maria, serva humilde do Senhor, mãe gloriosa de Cristo! Salve, Virgem fiel! Ensina-nos a ser dóceis ao Espírito. Ensina-nos a viver em atitude de escuta da Palavra, atentos às suas inspirações e às suas manifestações na vida dos irmãos, nos acontecimentos da história, no gemido e no júbilo da criação. Virgem da escuta, virgem orante, acolhe as súplicas dos teus servos. Ajuda-nos a abandonar-nos ao Senhor, a unir-nos ao Ecce venio de Jesus e ao teu Ecce ancilla. Ajuda-nos a compreender que já não podemos ter outra vontade que não a do Pai, outra regra que o seu beneplácito. Que, em cada instante, procuremos a vontade de Deus e nos conformemos a ela (cf. Leão Dehon, OSP 3, p. 329).

O “Ecce Venio” é a expressão em latim que significa “Eis que venho”
“Ecce Ancilla” significa “Eis aqui a serva do Senhor”.

http://www.dehonianos.org

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quinta feira...

 

 

 

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