Quisera que a tua bondade me deixasse morrer de amor.

 

Um texto que encontrei e achei verdadeiro.

A Unção que passa através dos sacerdotes!

Queridos Arcebispos, Bispos, Sacerdotes!

Querido Jesus Cristo no seu Episcopado, no seu Sacerdócio!

Sempre cumprimento os dois em cada carta que escrevo aos arcebispos, bispos e sacerdotes porque calou fundo na minha alma a orientação que recebi de Jesus Cristo. Nunca mais vou ver, ouvir, falar, tocar ou conversar com um ser humano somente quando este cidadão for um homem que teve o Sacramento da Ordem. Jesus Cristo Ressuscitado está para sempre presente, junto com os sacerdotes de uma forma real.

Eu fiquei muito sensível à presença de Jesus Cristo Ressuscitado na pessoa de qualquer sacerdote, por causa da minha pouca fé e do Ministério que Nosso Senhor queria que eu fizesse em sua Igreja, cuidar das vocações.

Jesus Cristo deixou sua expressão biológica e a sua pessoa total e íntegra na Eucaristia: Pão e Vinho transubstanciando-se em Corpo e Sangue de Jesus Cristo.

Jesus Cristo deixou sua expressão espiritual e a sua pessoa total e íntegra no Pentecostes: o Espírito Santo transfigura em cada cristão com o espírito de Jesus Cristo e nos faz Novos Cristos.

Jesus Cristo deixou sua expressão psicológica e a sua pessoa total e íntegra na Bíblia Sagrada: a Palavra, o Verbo se fez Carne e se revela no Evangelho, na Palavra Sagrada de Jesus Cristo.

E a expressão social a sua pessoa total e íntegra de Jesus Cristo está na pessoa dos sacerdotes, para a edificação de sua Igreja Ser sacerdote é ser Jesus Cristo Ressuscitado.

O mais importante para os Arcebispos e Bispos é a plenitude do único sacramento da Ordem. A plenitude sacerdotal é que os distingue dos outros sacerdotes comuns.

Por isso, é importante que os sacerdotes não vivam indiscriminadamente este mistério maravilhoso. Mas, precisam assumir com santidade e respeito a presença de Jesus Cristo na sua própria pessoa. Viver com intensidade este mistério grandioso de intermediário. Jesus Cristo foi tão bom intermediário do Deus-Pai que até jorrou o Espírito Santo em nós. Assim, se o sacerdote for bom intermediário também fará jorrar o Espírito Santo em nós.

No livro da Imitação de Cristo: “Como devem ser limpas as mãos, pura a boca, santo o corpo, imaculado o coração do sacerdote, onde tantas vezes entra o Autor de toda a pureza. Da boca do sacerdote que amiúde recebe o sacramento de Cristo não deve sair palavra não seja santa e edificante”.

Na Confissão Jesus Cristo vai ouvir e falar com você através do sacerdote. Você pode chamar o padre de Jesus Cristo, naquele momento. Enquanto o sacerdote faz o sinal da cruz, sinal da Redenção, diante de você, absolvendo em nome da Igreja, Jesus Cristo morre na Cruz por seus pecados e só para você naquele instante.

Os ouvidos dos sacerdotes são para nós os ouvidos de Jesus Cristo. Mas se eles não derem o retorno que Jesus Cristo queria para nos responder, então eles vão acertar as contas com Jesus Cristo. Os lábios, as bocas dos sacerdotes são para nós a boca de Jesus Cristo. E vai prestar contas desta mediação.

Jesus Cristo conhecia bem a Psicologia porque tudo fez com linguagem completa consciente e inconsciente nas suas curas e libertações. E a Igreja faz tudo com linguagem consciente racional, a fala (forma do sacramento) e com a linguagem inconsciente afetiva, os gestos (a matéria do sacramento). Assim, as mãos do sacerdote trabalham junto com sua boca formando a matéria e a forma dos sacramentos.

No Batismo o sacerdote pronuncia a forma: Eu te batizo em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo enquanto derramam água sobre a criança que nasce para a eternidade e se torna um filho de Deus.

Nos casamentos do povo, os noivos são os ministros. Mas todos os que se casam na Igreja Católica, fazem seu casamento diante de um sacerdote, que é o Deus presente.

O sacerdote colabora com a benção das Alianças em nome de Deus.

No sacramento da unção dos enfermos o sacerdote parece com um pai prestimoso ao lado do filho doente, dá a unção. (cuja matéria remota é o azeite de oliva abençoado pelo bispo na quinta feira santa) e a matéria próxima são as mãos sacerdotais traçando a cruz da Redenção e da Misericórdia e pronunciando as palavras de cura para o corpo e alma. E às vezes as mãos do sacerdote fecham os olhos dos moribundos nesta vida para que eles os possam abrir-se na eternidade. As mãos do sacerdote e suas palavras fazem o Mistério da Presença de Deus acontecer.

O sacerdote é intercessor quando ergue os braços tal qual Moisés no alto monte enquanto Josué guerreava, a oração do sacerdote faz a Igreja vencer a luta. O sacerdote é a ponte entre Deus e a Igreja Militante, é o Cristo em nosso meio. É Pontífice.

No inicio da Missa, do altar o sacerdote traça sobre os fiéis a bênção que os perdoa e fortalece na caminhada rumo a Deus, é a Bênção Redentora de Cristo. É o Cristo no alto da cruz, no altar do sacrifício, clamando ao Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.

A Consagração na Santa Missa é feita através das mãos sacerdotais que se estendem sobre as espécies invocando o Espírito Santo, com o poder espiritual dado na ordenação. Os lábios dos sacerdotes pronunciam aquelas Palavras Misteriosas “Tomai e Comei. Isto é o Meu Corpo…” e as suas mãos O tocam e levantam a Hóstia com simplicidade de um camponês, mas com uma dignidade Infinita que nem aos anjos foi dada. E na consagração do Vinho erguem com as suas mãos o Cálice e pronunciam novamente as misteriosas Palavras: “Tomai e bebei este é o Cálice da Nova e Eterna Aliança que é derramado por Vós” E o Deus Todo-Poderoso se submete ao homenzinho ordenado e ocorre a transubstanciação. Que mistério lindo!

 Talvez alguns dos sacerdotes num excesso de falsa humildade podem não verem, não entenderem e talvez alguns nem creiam neste profundo Mistério, mas saibam: Quando um sacerdote ergue o Cálice nos mostra a grande Humildade de Cristo que se faz presente por um ato de sua intenção e de sua fala, em voz audível e publica. Vendo esta verdadeira humildade de Jesus Cristo nas mãos dos sacerdotes os acordem para crerem mais no Mistério da Presença de Cristo que carregam

Ainda na Santa Missa, quando o sacerdote prega com inflamado zelo, com amor à Palavra e com a sua vivencia clara e transparente, as tuas mãos vibram-se em cada gesto e apontam para nós o caminho da verdade. As mãos dos sacerdotes abrem a porta do Céu para nós. Mas, se não forem honestos com Deus pode fechá-la a si mesmo.

Na ordenação é comunicado um poder espiritual que vem de Deus, a força da unção e da presença de Deus está nas mãos do ministro e na sua fala e não no elemento material de cada sacramento. As mãos do sacerdote na ordenação, são banhadas em óleo e amarradas para que ao serem desatadas, ele tome consciência de que as suas mãos não lhe pertencem mais. Serão santas e sagradas para consagrar.

É necessário um olhar de fé sobre este assunto. Desconfio que aí esteja o problema oculto que muitas vezes o próprio dono destas santas mãos e desta boca não se dá conta do seu poder. Cuidado padre, se não fores honesto com Deus, podes abrir o céu para muita gente e fecha-lo para si mesmo.

Cuidado Igreja com esta Unção que passa através da pessoa dos sacerdotes! Não abuse.

Juracy Villares.

Comunidade Missionária Santíssima Trindade

 

Manutergium

As mãos consagradas de um padre no dia de sua sagrada ordenação são amarradas com o manutergium. O manutergium usado em sua ordenação será colocado nas mãos de sua mãe após a sua morte como um sinal de que aquela é mãe de um sacerdote.

Dessa forma, quando Nosso Senhor lhe perguntar – “Eu lhe dei a vida, o que foi que você me deu?” Ela lhe entregará o manutergium e responderá: “Senhor, eu Vos dei o meu filho como um sacerdote”.

Honra para ela, glória para o Céu!

 

 

Comunhão Frequente

 

“Se te perguntarem os mundanos porque tantas vezes andas a comungar dize-lhe que duas sortes de pessoas devem comungar frequentemente: os perfeitos porque estando bem dispostos grande mal fariam em não se aproximarem do manancial e fonte da perfeição: e os imperfeitos afim de justamente aspirarem à perfeição; os fortes para que não venham a enfraquecer, os fracos para se tornarem fortes; os doentes para que sejam curados, os sãos para não caírem doentes; e tu como imperfeito, fraco e doente, tu tens necessidade de comungar muitas vezes, com a tua perfeição, a tua força e o teu médico.

Dize-lhes que os que não têm muitos negócios mundanos a tratar devem comungar muitos vezes, pois têm comodidade para o fazer: que os que estão cheios de trabalhos mundanos também devem, porque disso têm necessidade, que para quem mais trabalha mais sólidas e frequentes devem ser as comidas.

Dize-lhes que recebes o Santíssimo Sacramento para aprender a bem o receberes, porque nunca se chega a fazer uma coisa sem a exercitar muitas vezes.

Comunga muitas vezes, Filotéia, e as mais vezes que poderes, com consentimento do teu pai espiritual; e acredita-me, de inverno as lebres tornam-se brancas em nossas montanhas, à força de só verem e comerem neve, e à força de adorar e comer a beleza, a bondade e a pureza mesma neste divino sacramento, tornar-te-ás toda bela, toda boa, e toda pura”

São Francisco de Sales

Ó Jesus, ao considerar na ternura que vós me mostrais ficando no sacramento da Eucaristia para nos consolar nesta terra de dor e exílio, eu fico fora de mim mesmo; faltam-me expressões para dizer o que sinto e córo de vergonha por tão pouco vos ter amado, por me não haver ainda consumido do vosso amor. A qualquer hora do dia ou da noite que me apresente numa Igreja, lá vos encontro disposto sempre a escutar e atender as minhas orações. No meio de nós habitais como um nosso igual; de tão boa vontade morais na mais pequena aldeia coma na mais populosa cidade.

Está alguma de vossas ovelha na aflição, lá ides vós a toda a pressa oferecer-lhe consolações. Está estendida no leito de dor, ides vós mesmo pro¬cura-la e partilhar os seus sofrimentos. Está a dar o ultimo suspiro, correis instantaneamente para o pé dela, a anima-la a fazer o sacrifício da sua vida e com a vossa presença lhe suavizais os horrores da morte. Ó Jesus, quão inefável é o vosso amor para com os homens! quando, pois, de nossa parte vos pagaremos? Quando vos amaremos como é justo que vos amemos? Concedei-nos a todos esta graça, ó doce Salvador! mas particularmente a mira que de todos sou mais necessitado. Fiat, fiat! Assim seja.

Ó meu Jesus! A vossa ternura para comigo cobre-me de vergonha e confusão à vista da minha in¬gratidão. Ah! Fazei-me a graça de vos não ser mais ingrato; abrasai o meu coração das vossas santas chamas, mas com tanta violência que eu esqueça o mundo, esqueça a mim mesmo e só pense em amar-vos e agradar-vos.

A vós consagro corpo, alma, vontade, liberdade, a mim todo. Se no passado procurei a minha satisfação e isto com mil desgostos vossos, hoje me arrependo soberanamente, ó meu amor! Para o futuro nenhuma outra coisa quero procurar senão a vós.

Ó meu Deus! Vós sois o meu tudo, Deus meus et omnia; só a vós quero e a nada mais.

Oh! não poder eu consumir-me de amor por vós como vós vos consumistes todo por mim! Amo-vos, ó meu único bem, meu único amor; amo-vos e todo me abandono à vossa santa vontade; fazei que sempre vos ame e de cada vez mais até o meu ultimo suspiro.

(Pinnard, Abade Dom. As Chamas do Amor de Jesus ou provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa redenção. Traduzido pelo Rev. Padre Silva, 1923, p. 129-138)

http://rumoasantidade.com.br/chamas-amor-jesus/capitulo-xvii/

 

Ubi thesaurus vester est, ibi et cor vestrum erit – “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12, 34)

 

Jesus no Santíssimo Sacramento faz as delícias das almas desprendidas

Ubicumque fuerit corpus, illuc congregabuntur et aquilae – “Por toda a parte onde se achar o corpo, aí se reunirão as águias” (Lc 17, 37)

Sumário. As almas desapegadas são aquelas águias magnânimas que se elevam acima de todas as coisas criadas e têm pelo afeto sua morada continua no céu. Ainda na terra elas acham o seu paraíso na presença de Jesus sacramentado e nunca se fartam de visitá-Lo e fazer-Lhe companhia. Se nós também quisermos achar nossas delícias no divino Sacramento, desapeguemos nosso coração de nós mesmos e de todos os bens terrestres; e quando cometermos alguma falta, refugiemo-nos logo em nosso divino Salvador, afim de que nos purifique.

I. Por este corpo os Santos entendem comumente o de Jesus Cristo, e pelas águias entendem as almas desapegadas, que se elevam, como estas aves, acima das coisas da terra e voam para o céu, para onde tendem sem cessar por seus pensamentos e afetos e onde têm a sua morada continua. Estas águias ainda na terra acham seu paraíso, onde quer que achem a Jesus sacramentado e parece que nunca se podem fartar de o visitarem e de ficarem na sua presença. — Se as águias, diz São Jerônimo, percebendo o cheiro de alguma presa logo se lançam para a tomar, com quanto maior ardor devemos nós correr e voar para Jesus no Santíssimo Sacramento, como para o mais precioso alimento dos nossos corações?

Os Santos, neste vale de lágrimas, correram sempre com avidez, como cervos sequiosos, para esta fonte celeste. A grande serva de Deus, Maria Diaz, que viveu no tempo de Santa Teresa, obteve do bispo de Ávila licença para morar numa tribuna da igreja, onde ficava continuamente na presença de Jesus sacramentado, a quem chamava seu vizinho.

O venerável frei Francisco do Menino Jesus, carmelita descalço, passando diante das igrejas onde estava o Santíssimo Sacramento, não podia deixar de entrar nelas para o visitar, dizendo que não convém a um amigo passar diante da casa de seu amigo sem entrar ao menos para saudá-lo e dizer-lhe uma palavra.

Finalmente, o Padre Alvarez, qualquer que fosse a sua ocupação, dirigia muitas vezes os olhos para o lado onde sabia que repousava o Santíssimo Sacramento; frequentemente o visitava e passava algumas vezes noites inteiras na sua presença. Derramava lágrimas vendo os palácios dos grandes cheios de gente, para fazerem corte a um homem, de quem esperam algum mísero bem; e tão abandonadas as igrejas, onde reside no meio de nós, como num trono de amor, o soberano Senhor do céu, rico de bens infinitos e eternos. Dizia que são muito felizes os religiosos que na sua própria casa podem visitar, quantas vezes querem, de noite e de dia, este augusto Senhor no Santíssimo Sacramento; o que não é dado às pessoas do século.

II. Procuremos visitar frequentemente a Jesus sacramentado; e, para acharmos as nossas delícias na sua divina presença, desprendamos nosso coração de todos os bens criados, porquanto é indigno das consolações celestiais aquele que vive escravo dos prazeres dos sentidos. — Quando cometemos alguma falta, recorramos logo a este divino Sacramento, para ficarmos limpos: porque aí está a fonte predita pelo Profeta, a fonte aberta a todos, onde podemos, quantas vezes quisermos, ir purificar nossas almas de todas as manchas, que todos os dias contraímos pelo pecado: Haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, para nela serem lavadas as manchas do pecador (1).

Sim, ó meu Jesus, assim proponho fazer; mas Vós, dai-me a força para o executar. Confesso, ó Senhor, que, à vista de minhas manchas e ingratidões, não me devia atrever a chegar-me a Vós; mas já que me convidais com tanta bondade, não quero desalentar-me por causa das minhas misérias. A Vós compete mudar-me completamente; bani da minha alma todo o amor que não é para Vós, todo o desejo que não Vos é agradável, todo o pensamento que não tende para Vós, — Meu Jesus, meu amor, meu tesouro, só a Vós quero contentar, só a Vós quero agradar. Só Vós mereceis todo o meu amor, só a Vós quero amar de todo o meu coração. Desapegai-me de tudo mais, Senhor, e ligai-me só a Vós; mas ligai-me tão bem, que não possa mais separar-me de Vós, nem nesta nem noutra vida.

Ó Maria, vós tanto desejais ver amado vosso divino Filho! Se me amais, eis aqui a graça que vos peço e que me haveis de impetrar: obtende-me um grande amor a Jesus sacramentado e fazei com que eu não ame senão a Jesus. Vós alcançais tudo o que pedis; atendei-me, pois, e rogai por mim. Impetrai-me também um grande amor para convosco, que sois a criatura mais amante, a mais amável e a mais amada de Deus.

Referências: (1) Zc 13, 1

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 242-244)

 

Quanto Jesus deseja unir-se conosco na santa Comunhão

Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar – “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes que padeça” (Lc 22, 15)

Nenhuma abelha esvoaça com tanta avidez sobre as flores para lhes sorverem o mel, como Jesus vai morar nas almas que o desejam. Eis porque no Evangelho nos convida tantas vezes a que nos aproximemos dele na santa Comunhão. Faz tantas promessas e tantas ameaças, para manifestar o grande desejo que tem de unir-se conosco. Que ingratidão, pois, se não correspondemos a tão grande amor!

I. Jesus Cristo chama hora sua a noite em que devia começar a sua paixão. Mas como é que pode chamar uma hora tão funesta a sua hora? É porque foi a hora por ele almejada em toda a sua vida, visto que havia determinado que naquela noite havia de nos deixar a santa Comunhão, destinada a consumar a sua união com as almas diletas, pelas quais devia em breve dar o sangue e a vida. Eis aqui o que naquela noite Jesus disse a seus discípulos: Desiderio desideravi hoc pascha manducare vobiscum ― «Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa convosco». Palavra pela qual o Redentor nos quis dar a entender o desejo ansioso que tinha de unir-se conosco neste santíssimo Sacramento de amor: desiderio desideravi ― «desejei ansiosamente»; estas palavras, diz São Lourenço Justiniani, saíram do Coração de Jesus abrasado em imenso amor.

Ora, a mesma chama que então ardia no Coração de Jesus, ainda está ardendo ali até ao presente; e a todos nós renova o convite feito então aos apóstolos de o receberem: Accipite et comedite, hoc est corpus meum (Mt 26, 26) ― «Tomai e comei: isto é o meu corpo». Além disso, para atrair-nos a recebê-lo com amor, promete o paraíso: Qui manducat meam carnem, habet vitam aeternam (Jo 6, 55) ― «Quem como a minha carne, tem a vida eterna». No caso contrário ameaça-nos com a morte eterna: Nisi manducaveritis carnem Filii hominis, non habebitis vitam in vobis (Jo 6, 54) ― «Se não comerdes a carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós».

Estes convites, estas promessas, estas ameaças nasceram todas do desejo que tem Jesus Cristo de se unir conosco na santa comunhão, e este desejo nasce do amor que nos tem. «Não há abelha», disse um dia o Senhor a Santa Matilde, «que com tanta avidez esvoace sobre as flores para lhes sorver o mel, como eu anseio entrar nas almas que me desejam». Porque Jesus nos ama, quer ser amado de nós, e porque nos deseja seus, quer ser desejado, como diz São Gregório: Sitit sitiri Deus. Bem-aventurada a alma que se aproxima da mesa da comunhão com grande desejo de se unir a Jesus Cristo!

II. Adorável Jesus meu, não podeis dar-nos maiores provas de amor par anos fazer compreender quanto nos amais. Destes vossa vida por nós; ficastes no Santíssimo Sacramento, para que venhamos aí alimentar-nos de vossa carne, e quão grande desejo tendes que Vos recebamos! Como podemos ser sabedores de tantas finezas de vosso amor, sem ficarmos abrasados no vosso amor? Longe de mim, afetos terrenos, saí de meu coração; vós é que me impedis de arder por Jesus como ele arde por mim. Ó meu Redentor, que outros testemunhos de afeto posso eu ainda esperar, depois dos que me tendes dado? Por meu amor sacrificastes a vossa vida inteira; por meu amor abraçastes uma morte tão amarga e ignominiosa; por meu amor chegastes, por assim dizer, a aniquilar-Vos, reduzindo-Vos na Eucaristia a estado de alimento, para Vos dardes todo a mim. Ah, Senhor! não permitais que eu seja ingrato a tão grande bondade.

Graças vos dou pelo tempo que me concedeis para chorar minhas ingratidões e Vos amar. Arrependo-me, ó soberano Bem, de ter tantas vezes desprezado o vosso amor. Amo-Vos, ó Bondade infinita; amo-Vos, ó Tesouro infinito; amo-Vos, ó Amor infinito, digno de infinito amor. + Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas. Por piedade, ajudai-me, ó meu Jesus, a banir do meu coração todos os afetos que não são para Vós, para que daqui por diante não deseje, não busque e não ame senão a Vós. Meu amado Redentor, fazei com que eu Vos ache sempre e sempre Vos ame. Apoderai-Vos de toda a minha vontade, para que queira somente o vosso beneplácito. Meu Deus, meu Deus, a quem então amarei, se não amo a Vós em quem se encontram todos os bens? Só a Vós quero, e nada mais.

― Ó Maria, minha Mãe, tomai meu coração e enchei-o de perfeito amor a Jesus.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 308-311)

“Senhora amabilíssima, Senhora sublimíssima, Senhora graciosíssima, volvei vosso olhar para um pobre pecador que a Vós se recomenda e em Vós põe a sua confiança.”

Tu conheces minha extrema pequenez
Não temes te baixar a mim

Venha ao meu coração
Hóstia branca que eu amo

Ele suspira por ti, ele suspira por ti
Ele suspira por

Depois desta graça
Quisera que a tua bondade me deixasse morrer de amor
Quisera que a tua bondade me deixasse morrer de amor
Quisera que a tua bondade me deixasse morrer de amor

Venha ao meu coração
Hóstia branca que eu amo

Ele suspira por ti, ele suspira por ti
Ele suspira por

Depois desta graça
Quisera que a tua bondade me deixasse morrer de amor

 

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