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É preciso ser ovelha antes de ser pastor

 

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Comentário do dia
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de S. João, 45

«Se alguém entrar por Mim estará salvo»

 

bom_pastor_vocacoes«Em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.» Jesus acaba de abrir a porta que nos tinha mostrado fechada. Ele mesmo é essa porta. Reconheçamo-lo, entremos e alegremo-nos por termos entrado.

«Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores» […]; é preciso compreender que Jesus Se refere aos que vieram fora dele. Com efeito, os profetas vieram antes dele: eram ladrões e salteadores? De forma nenhuma, porque não vieram fora de Cristo; estavam com Ele. Ele tinha-os enviado como mensageiros, mas tinha nas suas mãos o coração dos enviados. […] «Eu sou o caminho, a verdade e a vida», diz Ele (Jo 14,6). Se Ele é a verdade, os que estavam na verdade estavam com Ele. Os que vieram fora dele, pelo contrário, são ladrões e salteadores porque só vieram para pilhar e fazer morrer, a as ovelhas não os escutaram. […]

Mas os justos acreditaram que Ele viria, tal como nós acreditamos que Ele já veio. Os tempos mudaram, mas a fé é a mesma. […] Uma mesma fé reúne os que acreditavam que Ele havia de vir e os que acreditam que Ele já veio. Vemo-los entrar a todos, em épocas diferentes, pela única porta da fé, isto é, Cristo. […] Sim, todos os que acreditaram no passado, no tempo de Abraão, de Isaac, de Jacob, de Moisés ou dos outros patriarcas e profetas, que anunciaram a Cristo, todos esses eram já suas ovelhas. Neles se ouviu o próprio Cristo, não como voz estranha mas com a sua própria voz.

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É preciso ser ovelha antes de ser pastor

jesus pastor ovelha perdida imagesO único, o grande, o definitivo pastor, dono de todo o rebanho, proprietário de todas as ovelhas é Jesus ressuscitado. Todos os demais “pastores auxiliares” de Jesus, precisam ser “pastores-ovelhas”. Todos: o Papa, os bispos, os padres, os diáconos, os religiosos consagrados, os leigos citados acima como “pastores auxiliares”, rigorosamente todos, precisam continuar a ser “ovelhas pastoreadas por Jesus”. Caso contrário, tornam-se “pastores mercenários” que dispersam, transviam, roubam, ou matam as ovelhas do bom Pastor (Cf. Jo 10,12).

JESUS BOM PASTOR ,,,imagesTodos os “pastores” chamados a pastorear por meio do serviço de hierarquia, como o Papa, os bispos, os padres, os diáconos, e acrescento aqui os religiosos consagrados, precisam ser “ovelhas dóceis e inteligentes”, diária e permanentemente pastoreadas, dirigidas, orientadas, alimentadas, purificadas, iluminadas e ungidas pelo bom Pastor, Jesus ressuscitado. Se deixarem de ser “ovelhas”, se não cultivarem uma amizade profunda, incrementada todos os dias pelos encontros vivos com o bom Pastor, por meio da oração diária, da leitura e assimilação da Palavra de Deus, da piedosa celebração dos sacramentos, dos diversos exercícios espirituais e de ascese cristã, esses pastores poderão tornar-se “funcionários, ou até mercenários”. É exatamente através desses encontros diários com o bom Pastor, que eles são pastoreados. Quanto mais alguém souber “ser ovelha”, tanto melhor poderá, depois, pastorear os seus irmãos de fé e de caminhada.

bom-pastor-images.jpgCompreenda-se que a necessidade de serem pastoreados por Jesus é até maior para todos os outros “pastores” que sejam leigos. Todos os que, atendendo ao chamado do bom Pastor, colaboram de qualquer forma na comunidade católica, prestando seus serviços, precisam ser, antes de tudo, “ovelhas” dóceis, obedientes, atentas, inteligentes e zelosas em estar em sintonia permanente e profunda com Ele. É preciso cultivar uma amizade profunda com Jesus, pela oração, pela Palavra de Deus, pela celebração e recepção dos sacramentos, por uma sintonia e unidade com a hierarquia, a fim de pastorear, não segundo suas próprias idéias e opiniões, mas de acordo com o coração do bom Pastor. Mais do que a hierarquia e os religiosos, os leigos-pastores necessitam de um permanente cultivo de sua vida cristã espiritual. Muitos leigos, cheios de boa vontade, mas descuidados do cultivo de sua vida espiritual, não atentos a um processo continuado de conversão e de busca de crescimento na graça divina, tornam-se meros “funcionários”, contaminando com sua frieza e até, algumas vezes, com seu contratestemunho de vida, os participantes de suas comunidades católicas. Tornam-se frios funcionários, e até, infelizmente, mercenários.

Gostar de ser ovelha

jesus_pastor.jpgPoder ser ovelha de Jesus ressuscitado, o bom Pastor, é uma graça maravilhosa e inestimável. Todos deveríamos nos empenhar, com toda dedicação, para deixarmo-nos dirigir em todos os caminhos e momentos de nossa vida pelo bom Pastor. Todos precisamos “gostar de ser ovelha de Jesus”.

Por Pe Alírio Pedrini,scj

Fonte: Dehon Brasil

 

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Jesus, o Bom Pastor, dá a vida por nós!

Ainda que sejamos a ovelha machucada, ferida, maltratada, Jesus, o Bom Pastor, dá a vida para curar o nosso coração e para restituir a nossa vida!

pastor 1239110171_48Nós queremos continuar contemplando a imagem maravilhosa de Jesus, o Bom Pastor. Sabem, meus irmãos, faz parte da cultura hebraica, faz parte realmente do sistema de economia dos judeus, a figura das ovelhas. Porque é muito comum vermos, na região de Israel, as ovelhas, que estão nas principais regiões daquele país. E é claro que para cuidar das ovelhas existe o pastor, que está ali observando cada uma delas, alimentando-as, vendo o que elas precisam, as conduzindo para que estejam no redil, cuidando das que estão doentes ou das que se perdem.

pastor ovelhas shepherd_leading_sheep_lg_clrA figura do pastor é uma figura muito cara, ele é muito bem visto pelo trabalho que faz e pela forma como ele cuida das suas ovelhas. E assim como existe o pastor, que cuida das suas ovelhas no campo, Jesus diz a nós que Ele também é um Pastor, mas Ele não é um pastor qualquer, Ele é o Bom Pastor! E por que Ele é um Bom Pastor? Porque Ele é capaz de dar a vida por Suas ovelhas, Ele não só cuida, ama, trata e dá o que a ovelha precisa, mas o fundamental: todas as vezes que preciso for, Ele dá a vida pelas ovelhas!

Dar a vida pelas ovelhas não significa apenas morrer por elas, Ele também é capaz de morrer e morreu por Suas ovelhas num gesto supremo de amor e de entrega total por aqueles a quem Ele ama, pois Ele dá a vida por cada uma a cada dia, Ele se sacrifica, cuida dela. E, mesmo que a ovelha seja rebelde, mesmo que a ovelha fuja, Ele vai atrás dela para poder cuidar dela.

Do mesmo modo como Jesus é o Bom Pastor, eu e você precisamos ser também “a boa ovelha”, precisamos nos deixar ser cuidados pelo nosso Bom Pastor; precisamos permitir que Ele, com todo o amor e ternura, cuide de nós. Ainda que sejamos a ovelha machucada, ferida, maltratada, o Bom Pastor dá a vida para curar o nosso coração, para restituir a nossa vida, para dar um vigor novo à nossa vida de ovelha!

pastor1O Bom Pastor não olha para as Suas ovelhas no plural, no rebanho, no coletivo. Ele as olha de forma individual, cada ovelha é única, por isso Ele a toma pela mão, a conduz nos Seus braços e lhe dá todo o amor, carinho e ternura. Porque Ele quer que Suas ovelhas estejam bem cuidadas, tratadas, alimentadas, mas, sobretudo, que elas tenham vida plena e abundante em Deus!

Que o Bom Pastor nos abençoe!

http://homilia.cancaonova.com

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ORANDO

(Orando por uma comunidade em crise)

Senhor, o rebanho se perdeu…As ovelhas se dispersaram…

Feridas fugiram…Amedrontadas se escondem!

Buscam outros caminhos, perdidas entre atalhos.

As que ficaram sentem falta das que se foram.

Porem o mercenário, diz que não se importa em perdê-las!

Socorre-nos!

“Vós não fortaleceis as ovelhas fracas; a doente, não a tratais; a ferida, não a curais; a transviada, não a reconduzis; a perdida, não a procurais; a todas tratais com violência e dureza.” (Ezequiel 34:4)

Eu creio na tua promessa:

“A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça. ” (Ezequiel 34:16)

“Eis o que diz o Senhor Javé: vou castigar esses pastores, vou reclamar deles as minhas ovelhas, vou tirar deles a guarda do rebanho, de modo que não mais possam fartar a si mesmos; arrancarei minhas ovelhas da sua goela, de modo que não mais poderá devorá-las.”

 “Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas.”

(Ezequiel 34, 10-11)

Eu jamais aceitarei fazer das pessoas descartareis, onde as troco por outras que chegam.

O Senhor, não nos ensinou assim!

“Qual de vós tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai procurar a que se tinha perdido, até que a encontre?”

(S. Lucas 15, 4).

E porque eu confio em sua palavra, continuo esperando, Senhor!

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JESUS EU CONFIO EM VÓS!

(Sol)

 

 

 

A minh’alma tem sede de Deus, de Deus
A minh’alma tem sede de Deus, de Deus

Assim como a corsa suspira pelas águas
Assim minh’alma suspira por vós, oh, meu Deus
Minh’alma tem sede, sede do Deus vivo
Quando irei contemplar a face de Deus

Porque nasci pra ti, Senhor
Eu vou morar, eu vou morar no céu
Porque nasci pra ti, Senhor
Eu vou morar, eu vou morar no céu

 

 

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Livro de Salmos 42(41),2-3.43(42),3.4.

Como suspira o veado pelas correntes das águas,
assim minha alma suspira por Vós, Senhor.
Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:
quando irei contemplar a face de Deus?

Enviai a vossa luz e verdade,
sejam elas o meu guia
e me conduzam à vossa montanha santa
e ao vosso santuário.

E eu irei ao altar de Deus,
a Deus que é a minha alegria.
Ao som da cítara Vos louvarei,
Senhor, meu Deus.

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TENHO SEDE DE TI!

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Não existe um só homem que não tenha sede de Deus

A fé não busca preencher os vazios que a filosofia e a ciência deixam sem resposta, porque ela é muito maior que isso.

Quando o ser humano deu seus primeiros passos, quando usou a razão e a consciência, e especialmente quando possuiu a capacidade de articular a ideia de Deus, ainda que de forma imprecisa, atravessou o Rubicão da humanização.

Aquelas nascentes palavras balbuciadas sobre o divino permitiram entrever o íntimo sentido religioso da pessoa, aquele “desejo de Deus que está inscrito no coração do homem”, o anseio mais profundo do seu ser.

A sede de Deus, de infinito, ajudou o ser humano a superar a escuridão, percebendo um rastro que o remete ao transcendente. A partir disso, ele tentou delinear, plasmar esta sede construído templos, criando símbolos sacros, elevando orações, compondo lendários relatos sagrados.

Os profundos interrogantes conduziram a pessoa à exploração do seu interior, com o olhar da alma. Esta capacidade de refletir sobre realidades acima do concreto e cotidiano lhe revelaram uma vocação sobrenatural que o ajuda a responder a uma plenitude de vida que vai além das dimensões da sua existência terrena, já que consiste na participação na própria vida de Deus.

A sede de infinito leva o homem a ir além das sábias reflexões, buscando mitigar a experiência de fugacidade existencial. Deus poderia nos mostrar a razão da nossa existência, tão magnífica e dolorosa ao mesmo tempo… Mas isso precisa ser indagado com os olhos da razão e da fé, respondendo à sua dimensão teologal.

O homem é limitado porque lhe falta algo; ele experimenta o vazio da contingência que nada na Terra pode serenar plenamente. Incomoda-o a impossibilidade de realizar e desenvolver tudo o que gostaria – também a relação com Deus.

A sede de Deus tem como correlato o anseio de encontro, que conduz o homem à busca da felicidade, que dá sentido à sua existência. Na história, é Deus quem vai ao encontro da pessoa. Ele fala na natureza, mas particularmente no diálogo com o povo escolhido, relatado na Sagrada Escritura.

sede cid4255e546b78343788565wf2Foi Deus quem superou a distância que separa o ser humano das alturas celestiais: um Deus onipotente que se encarna, que busca o ser humano, fazendo-se Homem. No mistério da Encarnação, o Senhor Jesus assume a humanidade, mostrando ao homem o caminho para ser verdadeiramente homem, ao mesmo tempo em que o redime.

Conhecemos as dificuldades para nos aproximarmos do ideal indicado por Jesus. É comum que o homem construa “barreiras de pecado”, que o impedem de perceber sua sede de comunhão. O pecado é um impedimento para entender o anseio interior corretamente.

Quem aprende a conhecer Jesus com a fé, tanto na mente quanto no coração e na ação, descobre a visão de Deus nas coisas. Abre-se a uma dimensão na qual reina o amor sublime, amor que alegra o espírito. “No entardecer da vida, examinar-te-ão no amor. Aprende a amar a Deus como Deus quer ser amado”, convidava São João da Cruz.

O que Jesus Cristo oferece com sua vida e seu sacrifício é precisamente a chave para “decodificar” o caminho preciso rumo à plena realização e salvação, para sustentar o encontro pleno com Deus.

O Senhor é a meta da nossa busca.

(Artigo de Alfredo Garland, publicado originalmente pelo Centro de Estudos Católicos)

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Sede de Deus

Nosso mundo vive uma grande sede de Deus e uma sentida saudade de Deus. O ser humano buscou o encontro com o Absoluto, procurou a resposta definitiva para as perguntas primeiras e últimas de sua existência. A busca de sentido para seu passado, seu presente e seu futuro, caracteriza a história das pessoas e dos povos. A memória do passado, a consciência do presente e a esperança do futuro, faculdades humanas moldadas pela sede e pela saudade de Deus, revigoram continuamente as civilizações. O íntimo de cada cultura é assinalado pela busca de Deus. As religiões, que perpassam o tecido de todas as culturas, em suas entranhas mais profundas, definem, de certa maneira, o modo de ser e de agir das civilizações e sociedades, as escolhas e comportamentos das pessoas e grupos. Não se conhece, em toda a história da humanidade, algum povo que não tenha recorrido à dimensão religiosa para responder às questões mais intrigantes da existência humana: “Por que e para que vivemos, de onde viemos e para onde vamos?”

fonte-linda.gifTambém a civilização ocidental, por mais que se defina agnóstica ou atéia, é marcada pela sede de Deus. Um século depois de grandes filósofos e críticos da religião terem previsto seu fim, em favor do predomínio absoluto da razão, eis que vivemos o retorno do sagrado, ouvimos o ruflar de anjos. Vivemos numa época em que os deuses combatem entre si pela posse do coração humano. De um lado, o Deus único e verdadeiro das religiões monoteístas e das grandes religiões orientais que ajudam o ser humano a situar-se no mundo, a buscar a verdade, a empenhar-se pela paz e pela justiça. De outro, os deuses do mercado, os ídolos do ter, do poder e do prazer, o dinheiro –deus-ídolo por antonomásia, o anti-Deus (Lc 16,13) – a dividir o coração humano, a massacrar multidões de vítimas em seus altares sanguinários. Teria o dinheiro tanto prestígio, não fossem as vítimas a ele oferecidas, por ele exigidas, em mortes estúpidas, por acidentes de trânsito e de trabalho, por doenças crônicas, por guerras e atos terroristas?

De certa maneira, pode-se até dizer que nunca, como na passagem de século e milênio que vivemos, o ser humano esteve tão ansioso pelo encontro com Deus. Nunca foi tão intensa a sede de Deus. É o que estão a revelar o pluralismo religioso, o mercantilismo religioso, o fanatismo religioso, o fundamentalismo religioso de nossos dias. Essa insistência no adjetivo “religioso” faz sentido. No âmbito da Igreja Católica, surgem, de tanto em tanto, novos movimentos eclesiais, de caráter apostólico ou espiritual. No âmbito do cristianismo, criam-se, a cada dia, novas igrejas ou pequenos grupos, que se referem, alguns sem o mínimo de rigor, ao Evangelho de Jesus Cristo. Num contexto mais amplo, difundem-se expressões e fenômenos religiosos, ligados a uma ou outra das grandes religiões universais. A religião está, continuamente, presente na mídia, através de reportagens, de notícias de entrevistas. Busca-se relacionar, de modo certamente injusto, a religião com o terrorismo e com a guerra. A religião está no mercado: há muita gente ganhando dinheiro às custas dessa sede de Deus. Afinal, uma igreja-empresa carece de pouco investimento, tem retorno financeiro garantido, tem clientela fiel, sobretudo no meio juvenil e nas camadas populares.

fonte01Essa sede, porém, não é jamais saciada. A sede de Deus é, de fato, permanente. Diz o salmista: “De ti tem sede a minha alma” (Sl 63,2). Nunca o ser humano conseguirá, neste mundo, saciar sua sede do infinito, responder às perguntas últimas de sua existência. Aqui está o drama da vida humana: procurar, sem encontrar. Melhor seria dizer: procurar sempre, sem jamais se satisfazer com o que se encontra. Porque o mistério de Deus só se deixa encontrar e experimentar na forma de aperitivo, por meio de apalpadelas, de toques e sinais. Deus vem a nós pela mediação dos sacramentos – da criação, da história ou da Igreja -, os quais são sinais, que, ao mesmo tempo em que nos revelam o mistério de seu amor, também nos esconde a clareza de sua plenitude e, mais ainda, nos fascinam, nos atraem e nos provocam a continuar a procurá-lo. Como um diafragma que controla a quantidade da luz, enquanto permite ver o sol, assim são os sinais de Deus. Em nossa busca permanente de Deus, caminhamos nos albores da madrugada e não na manhã clara, tateamos, às apalpadelas, vivemos de esperança em esperança. Como nos declara o Vaticano II, “só no mistério do Verbo Encarnado se esclarece, verdadeiramente, o mistério do ser humano” (G.S., n° 22).

O problema da atual sede de Deus é que se pretende acabar com ela, quer-se saciá-la de modo definitivo. Busca-se, então, um Deus-objeto, um tapa-buracos, um quebra-galhos. Cria-se uma religião de resultados, que solucione todas as crises, cure todas as doenças, resolva todos os problemas. Uma religião-terapia e não uma religião-aliança. Em vez de relacionar-se com Deus, como um amigo íntimo, um companheiro fiel, um pai extremoso, faz-se dele objeto de uso. Busca-se um deus feito pelo homem, que esteja sempre à disposição do homem. Criado à imagem de Deus, o ser humano quer agora criar seu deus, à sua imagem, invertendo as relações. Pretende possuir o mistério, delimitá-lo em suas categorias limitadas e mesquinhas, comprá-lo com suas posses, prendê-lo em suas instituições, usá-lo em seu favor. Por isso, a atual sede de Deus torna-se angustiante.

Com a presunção de ser religiosa, a atual sede de Deus é falsa, porque não busca o Deus vivo. Ela esconde, na verdade, a máscara dos modismos fáceis, dos devocionismos baratos, das soluções apressadas. Foi essa a denúncia que fez Jesus de Nazaré: “Uma geração perversa e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas” (Mt 12,39). O sinal de Jonas revela-se no escândalo da “quenose”, no rebaixamento de Deus, na cruz. Enquanto se procura Deus no poder e na grandeza, ele se esconde e se encontra na simplicidade e nos pequenos atos de amor de cada dia. Enquanto se busca saciar a atual sede de Deus com mega-shows, vendas de produtos religiosos, estéreis elucubrações filosóficas e teológicas, ele se esconde e se encontra na celebração, na promoção e na defesa da vida, em gestos de solidariedade.

pensar thinking-about-you-1920x1080Como a sede, também a saudade de Deus sempre acompanhou a história da humanidade. Trata-se, porém, de uma saudade que não se volta somente para o passado. A História de Israel, de Jesus de Nazaré e das primeiras comunidades cristãs, mostra que Javé-Abbá é um Deus que cumpre, fielmente, as promessas feitas. Assim, de promessa em promessa, o povo e as pessoas vão aprendendo a se relacionar com Deus, no modo da aliança. Cada promessa cumprida torna-se motivo de nova esperança. Por isso, a verdadeira saudade, seja do povo judeu, seja dos cristãos, aponta, sobretudo, para o futuro. A memória do passado torna-se consciência do presente e esperança do futuro. A saudade torna-se esperança. Não é, pois, uma saudade nostálgica que faz chorar por coisas, lugares, situações e pessoas perdidas. É uma saudade que, como a sede, atrai, fascina e provoca a ir adiante, a buscar sempre mais. Na verdade, é uma saudade de quem se deixa encontrar por Deus. Afinal, é ele quem vem ao nosso encontro, agora e sempre.

CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID

Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro

http://amaivos.uol.com.br/amaivos2015/?pg=noticias&cod_canal=45&cod_noticia=8855

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Tenha sede de Deus, tenha sede…(3X)
Porque Deus tem sede de você!

Acredite em Deus, acredite…
Porque Deus acredita em você!

Fale sempre com deus, fale sempre…
Porque Deus sempre fala com você!

Lembre sempre de Deus, lembre sempre…
Porque Deus não se esquece de você!

Dê a vida pra Deus, dê a vida…
Pois Jesus deu a vida por você!

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Pequena animação que demonstra a parábola da ovelha perdida onde um pastor ao perceber que uma de suas ovelhas se perdeu, ele deixa todas as outras para resgatar a perdida

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