Arquivo do dia: 11/08/2017

«Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto» (Jo 12,24).

 

Quero abraçar a Tua vontade
Não se faça o meu querer
Mas o que em mim queres fazer
Quero abraçar tua cruz, o que me ordenares
Mesmo que na dor venha sofrer
Se estou em Ti vou renascer

Como um grão de trigo
Que caiu no chão
E germina, vira fruto
E este fruto se transforma em pão
E alimenta, gera vida
Ó Senhor, assim eu quero ser
Pois morrendo por Ti sei que eu vou viver

«Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto»

Rev. D. Ferran JARABO i Carbonell
(Agullana, Girona, Espanha)

 A Via Crucis é para o cristão uma “via lucis”, morrer é um tornar a nascer, e ainda mais, é necessário morrer para viver de verdade.

Na primeira parte do Evangelho, Jesus diz aos Apóstolos: «Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto» (Jo 12,24).

Santo Agostinho comenta ao respeito: «Jesus diz de si mesmo “grão”, que havia de ser mortificado, para depois multiplicar-se; que tinha que ser mortificado pela infidelidade dos judeus e ser multiplicado para a Fe de todos os povos».

O pão da Eucaristia, feito do grão de trigo, multiplica-se e parte-se para alimento de todos os cristãos. A morte de martírio é sempre fecunda. Por isso, «os que se apegam à vida», simultaneamente, a «perdem». Cristo morre para dar, com o seu sangue, fruto: nós temos de imitar-lo para ressuscitar com Ele e dar fruto com Ele. Quantos dão no silêncio da sua vida para o bem dos irmãos? Desde o silêncio e da humildade temos de aprender a ser grão que morre para tornar à Vida.

O Evangelho  acaba com uma exortação a caminhar à luz do Filho exaltado no alto da terra: «E quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim» (Jo 12,32).

Temos que pedir ao bom Deus que em nós só haja luz e que Ele nos ajude a dissipar toda sombra.

Agora é o momento de Deus, não lhe deixemos perder! «Estais dormidos? No tempo que se vos concedeu!» (São Ambrósio de Milão).

Não podemos deixar de ser luz no nosso mundo. Como a lua recebe a sua luz do sol, em nós se há de ver a luz de Deus.

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SANTO AGOSTINHO E A EUCARISTIA

1 Cor 12, 12-30

1. Introdução

Santo Agostinho foi um grande enamorado da Eucaristia. O Bispo de Hipona estava plenamente consciente da Presença real e substancial de Cristo no Sacramento e sabia que todo cristão é peregrino da cidade de Deus e que, nesse caminho para a pátria eterna, necessita do alimento do Corpo e do Sangue de Cristo para poder chegar à meta.

Sabemos ainda que, no tempo de Santo Agostinho, em muitas dioceses, não era costume celebrar a Missa todos os dias, mas só duas ou três vezes por semana, entretanto sabemos também que, em Hipona, celebrava-se todos os dias. Santo Agostinho demonstra com isso ter um grande amor pelo Sacramento e plena consciência da necessidade que seus fiéis tinham da participação cotidiana na mesa do Senhor:

“O quarto pedido é: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. O pão de cada dia pode significar aqui diversas coisas: todas as coisas necessárias para o sustento da vida presente (…) ou então significa o sacramento do Corpo de Cristo, que recebemos todos os dias, e ainda a refeição espiritual”.

2. Vós sois o Corpo de Cristo

A comunidade é o Corpo de Cristo. Este elemento é ressaltado por Santo Agostinho de maneira particular em seus sermões da manhã de Páscoa.. Um dos elementos que neles quase sempre aparece é a explicação do paralelo que existe entre a comunidade e a Eucaristia. Ambos são Corpo de Cristo. Daí provém uma das frases mais contundentes de Santo Agostinho, em referência ao texto de 1 Cor 12:

“Quod accipitis vos estis, gratia qua redempti estis – Vós sois o que recebeis, pela graça com que fostes redimidos”.

Os fiéis são o próprio Corpo de Cristo. Quem é membro do Corpo de Cristo deve viver em santidade, como o próprio Cristo é santo.

“Estote quod videtis, et accipite quod estis – Sede o que vedes (sobre o altar), e recebei o que sois”.

É uma Igreja mesclada, ecclesia permixta – ele dirá. É como a rede de que nos fala o Evangelho, na qual havia peixes bons e maus (Mt 13, 47-50), é como o campo de Deus, em que há trigo e joio (Mt 13, 24-30). Esta mescla terminará quando vier o final dos tempos e os bons forem separados dos maus.

Enquanto durar a peregrinação, Santo Agostinho convida os bons à paciência com os que ainda não o são, e convida os que não são bons a que se convertam, antes que chegue o momento da separação final: Se os maus não podem separar-se dos bons agora, devem ser tolerados temporariamente:

“os maus podem achar-se conosco na eira, mas não no celeiro”.

“(Quem quiser viver) não tenha receio da união dos membros: não seja um membro podre, que mereça ser cortado; nem um membro disforme, de que se tenha vergonha; seja belo, adaptado, sadio; esteja unido ao corpo e viva de Deus, para Deus; trabalhe agora na terra, para reinar, depois, no céu”.

“Quem na vida não está, não está em Cristo; e quem não está em Cristo, não é cristão: eis as profundezas da vossa submersão”.

Santo Agostinho não propõe, contudo, uma comunhão intimista, em que o cristão se desentende de seus irmãos, mas trata de uma comunhão plena, em que a comunhão com Deus há de levar-nos a uma comunhão com os irmãos.

“Não poderei dizer que amo Cristo Cabeça, se não amar Cristo Corpo”. Não é possível separar a Cabeça do Corpo. Quem não vive em plena comunhão com o Corpo, não pode dizer que vive em plena comunhão com a Cabeça:

Santo Agostinho possui textos muito duros, indicando que quem não vive em comunhão com o Corpo de Cristo, que é a Igreja e que são os membros da própria comunidade, não pode aproximar-se a receber o sacramento da Eucaristia.

“Assim o Cristo Senhor significou-nos também e quis que pertencêssemos a Ele: consagrou em sua mesa o mistério da nossa paz e unidade. Quem recebe o mistério da unidade e não tem o vínculo da paz, não recebe o mistério em proveito de si próprio, mas em testemunho contra si. ”

Em tais palavras, subjazem certamente dois textos bíblicos lidos e interpretados por Agostinho em chave comunitária.

O primeiro é o texto evangélico que trata das condições requeridas para se apresentar uma oferta diante do altar de Deus e de como é preciso, antes de oferecer um sacrifício a Deus, estar reconciliado e em paz com os irmãos {Mt 5, 23).

O segundo é um texto paulino (1 Cor 11 , 29) que nos diz que “aquele que come e bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação”.

“Logo, ao nos lembrarmos de ter cometido alguma ofensa contra nosso irmão, é preciso ir ao encontro da reconciliação e tomar a iniciativa, não com o movimento de nossos pés, mas com o impulso de nosso coração”.

“Onde está a caridade, aí também reina a paz; e onde há humildade, lá se manifesta a caridade – ubi autem caritas, ibi pax; et ubi humilitas, ibi caritas”.

A Eucaristia é, um sacramento, sobretudo, de comunhão, pois vincula os fiéis a Cristo e também os une entre si. Isto seria verdadeiramente viver uma espiritualidade de comunhão, a saber: viver intimamente unidos a Cristo Cabeça e, ao mesmo tempo, unidos ao Corpo de Cristo, ou seja, à própria comunidade, reconhecendo, em cada irmão da comunidade, um membro do Corpo de Cristo.

Faz falta, certamente, muita fé para poder ver na pessoa concreta com quem partilho a minha vida a presença de Cristo, mas a Eucaristia deve-se converter num compromisso de amor fraterno, pois cada irmão é membro do Corpo de Cristo. Daí a necessidade da paciência, da compreensão, da oração pelos irmãos. Tudo, sem dúvida, a partir do amor:

“A Cabeça está no céu, mas tem membros na terra”. Dê um membro de Cristo a outro membro de Cristo: quem tem dê ao necessitado. Membro de Cristo és tu, que tens o que dar; membro de Cristo é o outro e necessita que lhe dês. Caminhais ambos, por um mesmo caminho, ambos sois companheiros de viagem”.

3. Alimento para os peregrinos

Santo Agostinho reconhece na Eucaristia o alimento que os peregrinos da cidade de Deus devem tomar em sua jornada para a casa do Pai. A Eucaristia tem de recordar aos membros de uma comunidade que estes estão de passagem, que são peregrinos, que não existem realidades definitivas neste mundo, mas tudo deve ser caminho e peregrinação em direção a Deus:

“Somos todos peregrinos. Cristão é aquele que, tanto em sua própria casa como em sua própria pátria, se reconhece peregrino. Nossa pátria está no alto, lá não seremos hóspedes, pois cada um de nós aqui, mesmo em sua casa, é hóspede”.

A Eucaristia tem, portanto, esse sentido, uma dimensão tanto de recordação, como de sacramento, ou seja, de dar alento aos que caminham para Deus e de robustecê-los em suas necessidades. É o que comenta Santo Agostinho:

“O que será ali a flor do trigo a não ser aquele pão que desceu do céu até nós? Como nos saciará na própria pátria Aquele que tanto nos alimentou na peregrinação”!

4. A unidade

Outro elemento muito presente nos sermões de Santo Agostinho com relação à Eucaristia é a unidade. Santo Agostinho viveu numa Igreja que se encontrava dividida, principalmente por causa do cisma donatista. Ele será, por isso, um grande amante da unidade e da paz da Igreja e usará, diversas vezes, da imagem do Pão e do Vinho eucarísticos para falar da unidade.

Como o pão não se formou de um grão só, nem o vinho de um único racimo de uva, assim também, em cada comunidade, há muitas pessoas. Para que haja a unidade entre elas, contudo, é preciso que morra o próprio ‘eu’, para que possa nascer o ‘nós’.

Santo Agostinho usa da imagem do moinho para ilustrar as penitências, que levam os fiéis a “moer-se” para morrer a si mesmos e unir-se aos demais, exatamente como ocorre com os grãos de trigo no moinho, e para entrar em condições de unir-se pela ação do Espírito Santo, pois o Espírito é água e é fogo. Como o pão se amassa com água e é assado ao fogo, assim também os fiéis, já dispostos pela penitência quaresmal, e pelas penitências do dia a dia, são levados pela ação do Espírito a unir-se a seus irmãos:

O Apóstolo diz, com efeito:

“há um só pão e nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo. Assim explicou o sacramento da mesa do Senhor: somos muitos, mas somos um único pão, um único corpo. Neste pão, manifestai-vos como deveis amar a unidade. Porventura aquele pão foi feito de um único grão? Não eram muitos os grãos de trigo? Mas, antes que chegassem a ser pão, estavam separados. Por meio da água é que foram unidos, depois de certa moagem: porque, se o trigo não for moído e amassado com água, não chega à forma que se chama pão. Assim vós também, dias atrás, pela humilhação do jejum e pelo mistério do exorcismo, éreis como que moídos. Veio o Batismo e, pela água, fostes banhados para poderdes receber a forma de pão, mas ainda não há pão se não se passa pelo fogo”.

O que significa o fogo?

“Trata-se da unção do óleo. O fogo que nutre é o sacramento do Espírito Santo. Prestai atenção nos Atos dos Apóstolos, ( … ) vem, pois, o Espírito Santo: depois da água, o fogo e sois convertidos em pão, que é o Corpo de Cristo”.

“Se retirares a palavra, não há senão pão e vinho: acrescenta a palavra, e já há outra coisa. E essa outra coisa, o que é? O Corpo de Cristo e o Sangue de Cristo”.

Fazendo um belo jogo de palavras, Santo Agostinho explica que os que bebem juntos do cálice vivem juntos em concórdia.

Nobiscum hoc estis: simul enim hoc sumimus, simul bibimus, quia simul vivimus – Sois isto conosco: pois juntamente o consumimos, juntamente bebemos, porque vivemos juntos.

Por isso, Santo Agostinho fala da Eucaristia como o sacrifício de Deus e nosso. A Eucaristia é o sacrifício de Cristo oferecido ao Pai, a que cada fiel cristão se une por meio de Cristo e se oferece também ao Pai como uma oblação viva, santa e pura.

5. Unidade e não uniformidade

Para Agostinho, a unidade não implica uniformidade, ou seja, que se faça tabula rasa de todos os dons e carismas recebidos. Trata-se de estabelecer uma igualdade verdadeiramente comunitária, que redimensiona a pessoa e a faz consciente da riqueza que a unidade lhe oferece, ajudando-a a libertar-se de elementos secundários  que podem converter-se em ídolos (raça, língua, família, país etc.), elementos que corremos o risco de querer adorar em lugar de Deus. Caindo, nos assim chamados “fundamentalismos.

Libertados desses elementos secundários capazes de escravizar a pessoa, o que procuramos é a unidade comunitária, na qual cada um pode e deve contribuir com sua própria particularidade, com o dom que recebeu de Deus, uma vez que todo dom se recebe sempre em vista de um serviço que se pode prestar a uma determinada comunidade. Uma comunidade é, portanto, como um tecido multicolorido, em que a unidade da trama não é quebrada pela variedade das cores.

Diz Santo Agostinho:

“Como a variedade de cores, num bordado, é tal que não se vê perturbada a graça da unidade, assim também, entre os irmãos, os diversos dons sejam tais que não se lhes adira qualquer discrepância de inveja”.

“Assim, tua alma não é própria, mas de todos os irmãos, cujas almas são tuas; ou melhor, cujas almas juntamente com a tua não são almas, mas uma única alma, a única de Cristo” …

6. Viver da Eucaristia

Santo Agostinho indica com força a dimensão de graça que o Sacramento da Eucaristia possui. Quem quiser viver, já tem onde viver e de que viver: do Corpo e Sangue de Cristo. Para que o Sacramento seja fonte de vida, porém, é preciso aceitar as três condições que Santo Agostinho coloca como sinônimos da Eucaristia, numa das mais famosas frases agostinianas sobre ela:

Oh, sacramento de piedade! Oh, sinal de unidade!

Oh, vínculo de caridade! Quem quiser viver, tem onde viver, tem de que viver.

Aproxime-se, creia, para que faça parte deste Corpo, para que seja vivificado.

É preciso, portanto, viver o sacramento de piedade. Trata-se, por um lado, da manifestação da misericórdia de Deus aos homens (Sua condescendência), mas é, por outro lado, convite a que os seres humanos modelem sua vida piedosamente e  saibam sempre se dar a Deus, com fidelidade (colocar Deus sempre no centro da própria vida, do próprio coração).

A Eucaristia é ainda sinal de unidade, isto é, é penhor e exigência de unidade ao mesmo tempo. Recebe-se a unidade e a comunhão com Cristo Cabeça, como dizíamos antes, mas isso é também uma exigência de viver a comunhão com todos os membros do Corpo de Cristo.

Finalmente, a Eucaristia é vínculo de caridade. Recebe-se a caridade e cria-se um forte vínculo de amor ao se receber a Eucaristia. Quando isso é verdade, a vida do fiel está cheia da vitalidade de Deus, de Seu próprio amor, de Sua graça, e os demais elementos humanos passam todos ao segundo plano, pois o amor, a caridade, é a raiz da qual não podem brotar senão bons frutos:

“Ama e faze o que quiseres. Se te calas, cala-te movido pelo amor; se falas em tom alto, fala por amor; se corriges, corrige com amor; se perdoas, perdoa por amor. Tem no fundo do coração a raiz do amor: dessa raiz não pode sair senão o bem”!

Quem, portanto, quiser viver, tem de aproximar-se da fonte da vida, que é a Eucaristia; mas, como dissemos, deve estar disposto a cumprir as três condições estipuladas por Santo Agostinho. É só assim que a reestruturação levará, de fato, a uma revitalização: Oh, sacramento de piedade! Oh, sinal de unidade! Oh, vínculo de caridade! Quem quiser viver, tem onde viver, tem de que viver. Aproxime-se, creia, para que faça parte deste Corpo, para que sejas vivificado.

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A Semente morreu e nos trouxe vida através da ressurreição.
” Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.”
(João 12:23-24)

 

Eu quero ser conduzida pelo Espírito Santo
Eu quero ser inflamada pelo fogo do céu

Porque sou fraca.
Não sei o que convém
Mas o Espírito que intercede
Sabe dos desejos de Deus pra mim.

Conduza-me! Conduza-me!
Vem transformar o meu viver
Inflama-me! Inflama-me!
Vem a minha chama acender
Espírito Santo faz de mim um novo ser

 

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