“O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus; para ele são loucura, e não é capaz de as compreender” (1Cor 2,14)

 

 

 

 

Por Sto. Afonso Maria de Ligório.

1. Diz S. Lourenço Justiniano que a morte de Jesus foi a mais amarga e dolorosa dentre todas as mortes dos homens, porque o Redentor morreu na cruz sem o mínimo alívio. Nas pessoas que sofrem, a pena é sempre mitigada por qualquer pensamento ao menos de consolação; mas a dor e a tristeza de Jesus foram inteiramente puras, sem mistura de consolo, como diz o Angélico (III q. 46 a 6).

Por isso S. Bernardo, contemplando Jesus agonizando na cruz, exclama: Meu caro Jesus, contemplando-vos sobre esse madeiro, dos pés até à cabeça não vejo senão dor e tristeza. Ó meu doce Redentor, ó amor de minha alma, por que quisestes derramar todo o vosso sangue, por que sacrificar a vossa vida divina por um verme ingrato como eu? Ó meu Jesus, quando será que eu me ligarei tão estreitamente a vós que não possa mais separar-me e deixar de vos amar?

Ah, Senhor, enquanto vivo neste mundo, estou em perigo de negar-vos o meu amor e perder a vossa amizade, como tenho feito no passado. Ah, meu caríssimo Salvador, se, continuando a viver, terei de passar por esse grande mal, suplico-vos por vossa paixão, dai-me a morte agora que eu espero estar em vossa graça. Eu vos amo e quero amar-vos sempre.

2. Lamentava-se Jesus pela boca do Profeta que, quando agonizava na cruz, procurava quem o consolasse e não o encontrava (Sl 68,21). Os judeus e os romanos, mesmo quando ele estava para expirar, o maldiziam e blasfemavam.

Maria Santíssima, sim, estava aos pés da cruz para dar-lhe algum alívio, se pudesse; mas essa mãe aflita e amorosa, com a dor que suportava pelos sofrimentos de Jesus, mais afligia a esse Filho que tanto a amava. Diz S. Bernardo que os sofrimentos de Maria contribuíram mais para atormentar o coração de Jesus. Quando o Redentor olhava para Maria assim atormentada, sentia sua alma transpassada mais pelas dores da Mãe que pelas suas próprias, como a mesma Santíssima Virgem revelou a S. Brígida: “Ele, vendo-me, mais se doía de mim que de si mesmo”. Do que conclui S. Bernardo: Ó bom Jesus, vós sofreis grandes dores no corpo, mas sofreis ainda mais no coração por compaixão com vossa Mãe.

3. Que sofrimentos, pois, não experimentaram esses corações amorosíssimos de Jesus e Maria, quando chegou o momento em que o Filho, antes de expirar, teve de se despedir de sua Mãe. Eis as últimas palavras com que Jesus se despediu neste mundo de sua Mãe: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26), indicando-lhe João que lhe deixava por filho em seu lugar.

Ó Rainha das dores, as recordações de um filho amado que morre são muito caras e não saem mais da memória de uma mãe. Recordai-vos que vosso Filho, que tanto vos amou, vos deixou a mim, pecador, por filho, na pessoa de João. Pelo amor que tendes a Jesus, tende piedade de mim. Eu não vos peço os bens da terra: vejo vosso Filho que morre em tantos tormentos por mim; vejo-vos a vós, minha Mãe inocente, sofrendo tantas dores por mim e vejo que eu, miserável réu do inferno, nada padeci pelos meus pecados por vosso amor. Quero sofrer alguma coisa por vós antes de morrer. Esta é a graça que vos peço e vos digo com S. Boaventura que, se vos ofendi, é de justiça que eu padeça por castigo, e se eu vos servi, é justo que eu sofra por recompensa.

Impetrai-me, ó Maria, uma grande devoção e uma recordação contínua da paixão de vosso Filho. E por aquele tormento que sofrestes, vendo-o expirar na cruz, obtende-me uma boa morte; assisti-me, minha Rainha, naquele último momento e fazei que eu morra amando e proferindo os santíssimos nomes de Jesus e Maria.

4. Vendo Jesus que não encontrava quem o consolasse neste mundo, levantou os olhos e o coração para seu Pai, para pedir-lhe alívio. Mas o eterno Pai, vendo seu Filho coberto com as vestes de pecador: Não, Filho, disse-lhe, não te posso consolar, já que estás satisfazendo a minha justiça pelos pecados de todos os homens; convém que agora eu te abandone aos teus sofrimentos e te deixe morrer sem conforto. E foi então que o nosso Salvador, elevando a voz, disse: “Deus meu, por que me abandonais”? (Mt 27,46).

Explicando esta passagem, o Beato Dionísio Cartusiano diz que Jesus proferiu essas palavras com grande brado, para fazer todos compreenderem a grande dor e tristeza em que morria. E quis nosso amantíssimo Redentor morrer privado de toda consolação, acrescenta S. Cipriano, para nos demonstrar seu amor e atrair para si todo o nosso amor.

Ah, meu amado Jesus, queixai-vos injustamente, dizendo: Meu Deus, por que me abandonastes? Perguntas por quê? E eu pergunto-vos: por que quisestes vos encarregar de pagar por nós? Não sabíeis que só pelos nossos pecados merecíamos ser abandonados por Deus? Com razão, pois, vos abandonou o vosso Pai e vos deixou morrer num mar de dores e de tristezas.

Ah, meu Redentor, o vosso abandono me aflige e me consola: aflige-me, porque vos vejo morrer com tantos sofrimentos, mas consola-me dando-me confiança de que, pelos vossos merecimentos, não serei abandonado pela misericórdia divina, como eu merecia por vos ter abandonado tantas vezes para seguir os meus caprichos. Fazei-me compreender que, se para vós foi tão cruel o ser privado por breve tempo da presença sensível de Deus, qual seria o meu tormento se tivesse de ficar privado de Deus para todo o sempre.

Por esse vosso abandono, suportado com tanta dor, não me abandoneis, ó meu Jesus, especialmente na hora de minha morte. Nesse momento em que todos me abandonarão, não me abandoneis, vós, meu Salvador. Sede então vós, meu Senhor desolado, o meu conforto nas minhas desolações. Bem sei que se vos amasse sem consolação, contentaria o vosso coração; conheceis, porém, a minha fraqueza, ajudai-me com a vossa graça. infundindo-me então perseverança, paciência e resignação.

5. Aproximando-se Jesus da morte, disse: ”Tenho sede”. Dizei-me, Senhor, de que tendes sede? pergunta Leão de Óstia. Vós não vos queixais dos imensos tormentos que sofrestes na cruze vos lamentais exclusivamente da sede? “Minha sede é a vossa salvação”, lhe faz dizer S. Agostinho (In ps. 33). Ó almas, diz Jesus, esta minha sede não é outra coisa que o desejo que tenho de vossa salvação.

O Redentor amorosíssimo tem um ardente desejo de nossas almas e por isso ardia em se dar todo a nós por meio de sua morte. Foi essa a sua sede, escreve S. Lourenço Justiniano. E S. Basílio de Seleucia diz que Jesus Cristo afirma sentir sede, para dar-nos a entender que, pelo amor que nos tinha, morria com o desejo de padecer por nós mais ainda do que tinha padecido.

Ó Deus amabilíssimo, porque nos amais, desejais que nós suspiremos por vós. “Deus tem sede de que tenhamos sede dele”, diz S. Gregório Nazianzeno (Tetr. Sent. 34). Ah, meu Senhor, tendes sede de mim, vilíssimo verme, e eu não sentirei sede de vós, meu Deus infinito? Pelos merecimentos dessa sede suportada na cruz, dai-me uma grande sede de vos amar e de comprazer-vos em tudo. Prometestes que nos atenderíeis em tudo o que vos pedíssemos: Pedi e recebereis. Eu vos peço este dom de vosso amor.

Eu não o mereço, mas será essa a glória de vosso sangue, fazer vosso grande amigo um coração que durante tanto tempo vos desprezou; fazer todo chamas de caridade um pecador todo cheio de lama e de pecados. Fizestes muito mais do que isto, morrendo por mim. Ó Senhor infinitamente bom, eu desejaria amar-vos tanto quanto vós o mereceis. Regozijo-me do amor que vos têm tantas almas abrasadas e mais ainda do amor que tendes por vós mesmo, ao qual uno o meu, embora fraquíssimo. Amo-vos, ó Deus eterno, amo-vos, ó amabilidade infinita. Fazei que eu cresça cada vez mais no vosso amor, repetindo sem cessar atos de amor e esforçando-se par vos agradar em todas as coisas sem intermitência e sem reserva. Fazei que, apesar de miserável e pequenino como sou, seja pelo menos todo vosso.

6. Nosso Jesus, já estando para expirar, disse com voz moribunda:“Tudo está consumado”. Enquanto profere essa palavra, rememora em sua mente todo o decorrer de sua vida: viu todas as fadigas que experimentara, a pobreza, as dores, as ignomínias suportadas, oferecendo-as todas novamente a seu eterno Pai pela salvação do mundo. Depois, voltando-se para nós, repetiu: “Tudo está consumado”, como se dissesse: Ó homens, tudo está consumado tudo está completo: concluída a vossa redenção, satisfeita a divina justiça, aberto o paraíso. “Eis o teu tempo, e o tempo dos amantes” (Ez 16,8).

É tempo, finalmente, ó homens, de começardes a amar-me. Amai-me, pois, amai-me porque nada mais me resta fazer para ser amado por vós. Vede o que fiz para conquistar o vosso amor: por vós levei uma vida tão cheia de tribulações; no fim de meus dias, antes de morrer, consenti em que me tirassem todo o meu sangue, me escarrassem no rosto, lacerassem as carnes, coroassem de espinhos, chegando até aos horrores da agonia neste lenho, como estais vendo. Que falta ainda? Só falta que eu morra por vós; pois bem: quero morrer: Vem, ó morte, dou-te licença de tirar-me a vida pela salvação de minhas ovelhas.

E vós, ovelhas minhas, amai-me, porque nada mais posso fazer para me fazer amar. Tudo está consumado, diz Tauler, tudo o que a justiça exigia, o que requeria a caridade, tudo o que se podia fazer para patentear o amor (De vita et pass. Salv. c. 49). Pudesse dizer também eu ao morrer, meu amado Jesus: Senhor, realizei tudo, fiz tudo que me impusestes, levei com paciência a minha cruz, tudo vos satisfiz. Ah, meu Deus, se tivesse de morrer agora, morreria descontente, porque não poderia repetir nenhuma dessas coisas de verdade.

Mas hei de viver sempre assim, ingrato ao vosso amor? Dai-me a graça de contentar-vos nos anos que me restam, para que, quando chegar a morte, possa dizer-vos que ao menos desta data em diante executei a vossa vontade. Se vos ofendi pelo passado, a vossa morte é minha esperança. Para o futuro não quero mais atraiçoar-vos, mas é de vós que espero a minha perseverança. Por vossos merecimentos, ó meu Senhor Jesus Cristo, eu volo peço e espero.

7. Eis Jesus expirando na cruz. Contempla-o, minha alma, nas dores da agonia, a exalar o último suspiro. Contempla esses lhos moribundos, a face pálida, o coração que com lânguido movimento apenas palpita, o corpo que já se entrega à morte e esse bela alma que em breve deixará o corpo dilacerado. Já o céu se escurece, treme a terra, abrem-se os sepulcros. Que significam esses terríveis sinais? a morte do Criador do universo.

8. Por último, nosso Redentor, depois de haver recomendado sua bendita alma a seu eterno Pai, tendo primeiramente dado um grande suspiro partido de seu aflito coração, inclina a cabeça em sinal de obediência, oferece sua morte pela salvação dos homens e expira pela violência de dor, entregando seu espírito nas mãos de seu querido Pai. “E clamando com grande brado, Jesus diz: ‘Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito’. E dizendo isto, expirou” (Lc 23,46).

Chega-te, minha alma, aos pés deste santo altar, no qual morreu sacrificado para te salvar o Cordeiro de Deus. Chega-te e pensa que ele morreu pelo amor que te consagrou. Pede quanto desejares ao teu Senhor morto e espera tudo. Ó Salvador do mundo, ó meu Jesus, eis a que estado vos reduziu o amor pelos homens; agradeço-vos o terdes querido perder a vida para que se não perdessem as nossas almas: agradeço-vos por todos, mas particularmente por mim mesmo. Quem mais do que eu se aproveitou do fruto de vossa morte?

Eu, por vossos merecimentos, sem nem sequer o saber, tornei-me filho da S. Igreja pelo batismo: por vosso amor fui tantas vezes perdoado e recebi tantas graças especiais; por vós tenho a esperança de morrer na graça de Deus e de chegar a amar-vos no paraíso. Meu amado Redentor, quanto vos devo! Entrego minha pobre alma às vossas mãos traspassadas. Fazei que eu compreenda bem quão grande foi o amor que levou um Deus a morrer por mim.

Desejaria morrer também por vós, Senhor, mas que compensação pode dar a morte de um escravo perverso à de seu Senhor e Deus? Desejaria ao menos amar-vos quanto estivesse em mim, mas sem o vosso auxílio, ó meu Jesus, eu nada posso. Ajudai-me e pelos merecimentos de vossa morte fazei que eu morra a todos os amores da terra para que eu ame somente a vós, que mereceis todo o meu amor. Eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, meu sumo bem, e vos suplico com S. Francisco: “Morra eu, Senhor, pelo amor de teu amor, que te dignaste morrer pelo amor de meu amor”. Morra eu a tudo, ao menos por gratidão ao grande amor que me mostrastes, dignando-vos morrer por meu amor e para ser amado por mim.

Maria, minha Mãe, intercedei por mim. Amém.

http://www.salverainha.com.br/Sofrimento_de_Jesus_na_Cruz.html

 

 

 

 

 

 

 

A Desolada

Maria, aos pés da cruz, naquele dilacerante stabat que a torna um mar amargo de angústia, é a expressão mais alta, em uma criatura humana, da heroicidade de toda virtude. Ela é a mansa por excelência, a dócil, a pobre, a tal ponto que perdeu o seu Filho Deus ; a justa que não se lamenta de ser despojada daquilo que lhe pertence por mera eleição; a pura no desapego afetivo a toda prova do seu Filho Deus… Em Maria Desolada encontra-se o triunfo das virtudes da fé e da esperança pela caridade que a acendeu durante toda a vida e a inflamou na participação tão viva na Redenção.

Maria, na sua desolação que a reveste de todas as virtudes, ensina-nos a cobrir-nos de humildade e paciência, de prudência e de perseverança, de simplicidade e de silêncio, para que na nossa própria noite, do humano que existe em nós, brilhe no mundo a luz de Deus que habita em nós. Maria das dores é a Santa por excelência, um monumento de santidade, que todos os homens que existem e existirão podem contemplar, para aprender a se revestir da mortificação ensinada há séculos pela Igreja e que os santos, com notas diversas, ecoaram em todos os tempos.

Pensamos demasiado pouco na “paixão” de Maria, nas espadas que traspassaram o seu Coração, no terrível abandono que sentiu no Gólgota, quando Jesus a confiou a outros…
Talvez tudo isso dependa do fato de Maria ter sabido bem demais cobrir de doçura, e de luz, e de silêncio a sua angustiante e viva agonia.
No entanto: não há dor igual à sua…
Se, um dia, os sofrimentos chegarem a certos ápices em que tudo em nós dá impressão de rebelar-se, porque o fruto da nossa “paixão” parece ter sido tirado das nossas mãos e, mais ainda, do nosso coração, lembremo-nos de Maria.
Será com esse gelo que ficaremos um pouco parecidos com ela; que se delineará melhor em nossas almas a figura de Maria, a toda bela, a Mãe de todos, porque de todos, mormente de seu divino Filho, desapegada por vontade divina.

A Desolada é a Santa por excelência.
Quisera revivê-la na sua mortificação.
Quisera saber ficar sozinha com Deus como Maria ficou, no sentido de que, mesmo entre irmãos, sinta-me impelida a fazer de toda a vida um diálogo íntimo entre a alma e Deus.
Devo mortificar palavras, pensamentos e atos que estejam fora do momento de Deus, para engastá-los no instante a eles reservado.
A Desolada é certeza de santidade, fonte perene de união com Deus, vaso transbordante de alegria. A Desolada!
Este é o meu “heureca!” Sim, encontrei. Encontrei o caminho.
transcrição

(Chiara Lubich – Livro Ideal e Luz)

ESTA É A CENA QUE MAIS ME COMOVE NESTE FILME!
OS CUIDADOS DE MARIA E DE MADALENA,
COM O SANGUE DE JESUS!
ASSIM COMO VEJO OS SACERDOTES FAZEREM QUANDO LIMPAM COM CUIDADO AS BORDAS DO CALICE, NA SANTA MISSA…
 
(Sol)
 
 
 

 

 

 

 

A agonia de Jesus

A agonia de Jesus explicada por um grande estudioso francês, médico Dr. Barbet que reconstitui o sofrimento de Jesus fazendo referencias aos Evangelhos; e o Sudário dá a possibilidade de entender, realmente, as dores de Jesus durante a sua paixão; “Eu sou sobretudo um cirurgião: ensinei por muito tempo. Por anos vivi em companhia de cadáveres; na minha carreira estudei a fundo a anatomia. Posso então escrever sem presunção.

Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico.

O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo.

O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra. Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.

Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura.

Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).

Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado.

Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.

Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheia de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.

Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.
Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz.

Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas.

Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer.

Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos.

Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas.

Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.

Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.

O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam-se à estaca vertical.

Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera.

A ponta cortante da grande coroa de espinhos penetram o crânio.

A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.

Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede.
Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se
torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.

Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.

Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem.

A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.

Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas.

Todas as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”.

E morre…

A morte de Jesus foi redentora, isto significa que Ele nos resgatou, Ele que não era escravo de Satanás, foi até o “mercado de escravos” e nos livrou, nos comprou pagando o preço do resgate,

Seu precioso sangue.

http://www.salverainha.com.br/Sofrimento_de_Jesus_na_Cruz.html

 

 

 

 

 

Salmo (Daniel 3,52-56)

— A vós louvor, honra e glória eternamente!
— A vós louvor, honra e glória eternamente!— Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. A vós louvor, honra e glória eternamente! Sede bendito, nome santo e glorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!
— No templo santo onde refulge a vossa glória. A vós louvor, honra e glória eternamente! E em vosso trono de poder vitorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!
— Sede bendito, que sondais as profundezas. A vós louvor, honra e glória eternamente! E superior aos querubins vos assentais. A vós louvor, honra e glória eternamente!
— Sede bendito no celeste firmamento. A vós louvor, honra e glória eternamente!

À medida que servimos a Deus somos livres

(João 8,31-42)

O Evangelho de hoje, dentre tantas coisas, nos traz o caminho de santidade que passa pelo seguimento a Cristo, pois  esse  é, na realidade, um caminho na liberdade e na verdade.

De fato, Jesus diz: “Se permanecerdes fiéis à minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á” (João 8,31-32).

Propor a santidade de vida nada mais é do que oferecer o caminho da verdade e da liberdade. À luz da fé, ser  santo é viver a verdade total, não limitada às realidades materiais ou apenas à vida terrena. Com efeito, o santo tem em consideração tanto os bens materiais como os espirituais; ele considera tanto a realidade terrena como a sobrenatural, contempla a própria vida não apenas na perspectiva temporal, mas também eterna. Por outras palavras, o santo vive na verdade, considerando todos os aspectos da própria existência.

O aspecto mais importante é que quem deseja a santidade se abre para Deus, o bem supremo e fonte verdadeira. Jesus disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Depois da Sua Morte e Ressurreição, o Senhor prometeu que nos enviaria o Espírito Santo como “o Espírito da Verdade” (Jo 16,13), que nos “guiaria à verdade total” (Jo 16,13).

Diante de Pilatos, Jesus disse: “Foi por isso que nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). Seguindo radicalmente a Cristo, caminhamos na verdade total.

A santidade de vida e a abertura à graça nos ajudam, na realidade, a compreender mais profundamente as verdades de Deus. São Paulo  escreve: “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus; para ele são loucura, e não é capaz de as compreender” (1Cor 2,14). Ou ainda: “Todo aquele que peca não viu Deus nem o conheceu” (1Jo 3,6).

Não alcançamos a contemplação plena do rosto do Senhor unicamente com as nossas forças, mas deixando-nos guiar pela Sua graça. Só a experiência do silêncio e da oração oferecem o horizonte adequado, nos quais pode maturar e desenvolver-se o conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente ao mistério de Deus. Por este motivo, com frequência nos surpreende a compreensão perspicaz da verdade de Deus que os santos demonstram, mesmo os que não fizeram muitos estudos.

No Evangelho, Jesus fala da liberdade verdadeira, espiritual. Na realidade, o olhar sobre todos os aspectos da nossa existência, ajuda-nos a encontrar uma justa escala de valores. Auxilia-nos, por conseguinte, a não nos tornarmos ou a permanecermos escravos dos bens materiais e das nossas concupiscências, dos vícios, do pecado, mas nos estimula e nos torna capazes de desejar os valores mais importantes, indestrutíveis, perenes.

Jesus, no Evangelho de hoje, responde aos judeus de maneira clara: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que cometer pecado é escravo do pecado”. Vem à nossa mente tantos jovens que hoje são escravos da droga, do sexo, do prazer, do dinheiro, do orgulho, da preguiça, da inveja, etc. Não são livres para desejar valores maiores.

Contudo, quem de nós não experimentou – e não experimenta em maior ou menor medida – a escravidão de vários vícios e debilidades? Santo Agostinho, que depois de uma vida tão libertina teve que se esforçar bastante para encontrar esta liberdade espiritual, isto é, para partir as correntes dos seus maus hábitos e da paixão carnal, depois escreveu com convicção: “Ouso dizer que na medida em que servimos a Deus somos livres, enquanto que na medida em que servimos a lei do pecado somos escravos”.

Santo Agostinho também tinha a consciência de que a liberdade espiritual não se alcança plenamente com as próprias forças, mas unicamente através da graça, da ajuda do Senhor. Contudo, Jesus afirma isto de maneira clara no Evangelho que ouvimos: “Por conseguinte, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres”.

O caminho da santidade é um caminho para a liberdade espiritual, que pode manifestar-se “até em condições de constrição exterior” como nos ensina o papa João Paulo II, na Carta Encíclica “Redemptor Hominis”, 12.

A condição da sua autenticidade é “a exigência de uma relação honesta em relação à verdade […] a toda a verdade acerca do homem e do mundo”, continua Sua Santidade. Assim, voltam à nossa mente as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “a verdade libertar-vos-á”.

Peçamos ao Senhor que nos ajude, a saber aceitarmos seriamente o convite à santidade nas nossas condições de vida cotidiana, que não é mais que um convite a caminhar na verdade total e na liberdade autêntica.

Padre Bantu Mendonça

http://blog.cancaonova.com/homilia/2012/03/28/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Papa e a modéstia

visita papal

O protocolo diplomático do Vaticano diz que Rainhas e Primeiras-damas que visitam o Papa devem estar de roupa preta e véu. Neste álbum vemos algumas destas visitas e observamos que o Vaticano oferece normas concretas de como se vestir diante do Santo Padre, ou seja, com a devida modéstia. Além disso, quando entrarmos na fila para visitarmos a Basílica de São Pedro poderemos observar uma certa vigilância e placas indicativas que informam as roupas permitidas e proibidas. Para alguns isso pode parecer estranho, mas para os católicos isso nada mais é do que o cuidado que a Santa Igreja, Mãe nossa, tem para nos educar e formar na virtude da modéstia, atualmente atacada de forma tão gritante. Por isso numa oração indulgenciada, chamada Ato de reparação a Santa Igreja nos convida a rezar: “Dulcíssimo Jesus… de todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstias do vestido…” (Manual das Indulgências, Ed. Paulus, 1990, pág. 50).

Portanto se somos católicos não podemos ser indiferentes e  acolhermos de braços abertos a moda difundida atualmente. Estamos no mundo mas não somos deste mundo, nos ensinou Nosso Senhor. Se queremos viver conscientemente na presença de Deus amando-O de todo coração, como ousaremos nos vestir imodestamente deixando-nos levar pela onda da moda atual e assim ofendendo nosso Deus e Senhor?

Que Nossa Senhora, Virgem Puríssima, interceda por todos nós, e especialmente para que as mulheres possam abraçar com convicção e alegria as exigências da modéstia católica.

http://modaemodestia.com.br/index.php/artigos/moda-e-ecclesiae/o-papa-e-a-modestia

 

 

 

 

Jesus é condenado à morte

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A cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi Ele que nos salvou e libertou. (Gl 6, 14).

Quando eu for exaltado da terra, diz o Senhor, atrairei a mim todas as coisas. (Jo 12, 32).

Oração inicial:,

Ó Virgem Dolorosa, nós sabemos que juntamente com Vosso divino Filho sofrestes as dores da Paixão. Vós sofrestes como Mãe, quase que na própria carne – porque mais dói a dor da alma do que a do próprio corpo. No caminho do Calvário, Vós encontrastes Jesus quando carregava a cruz às costas. Ó Mãe Santíssima nós Vós pedimos graças super abundantes, graças eficazes, graças até místicas para bem realizar esta meditação e que ela de fato possa, de alguma forma, reparar o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração por tantos crimes, tantos horrores e pecados que ocasionaram a Paixão de Vosso divino Filho. Hoje, ao considerardes esses crimes, blasfêmias, pecados, que vos recordeis das dores de Jesus e das vossas dores, em união com Ele.

Que essas dores penetrem em nossos corações e que cheios de arrependimento por nossas faltas, cheios de mágoa e ao mesmo tempo cheios de desejo de emenda para este mundo tão pecador. Alcançai-nos nesta meditação, a compreensão do quanto o pecado atrai sobre nós o castigo, e o quanto o pecado sem arrependimento, atrai a cólera de Deus.

Doce Coração de Maria, aceitai esta humilde meditação como emenda para nós e reparação ao Vosso Sapiencial e Imaculado Coração.

Assim seja!

Introdução: Antes de iniciarmos nossa meditação, vamos compor a cena impressionante; temos diante dos nossos olhos o Filho Unigênito de Deus, esgotado de sofrimentos, carregando pesada cruz às costas; os soldados que O seguem com chicotadas; o povo que amontoa-se curioso, alguns se compadecem, outros indiferentes e ainda outros até se deliciam com os tormentos que são infligidos a Nosso Senhor.

I – A cruz divide a humanidade.

Jesus é condenado à morte, ‘Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário’. (Jo 19, 17)

Carregando sua cruz! Jesus acaba de ser condenado a carregar a pesada cruz. Encontra-Se no Pretório de Pilatos à espera da chegada da cruz. O local está repleto de gente, de curiosos e a cruz entra… a multidão ali apinhada é dividida ao passar da cruz.

Ora, naquele tempo à cruz era símbolo de maldição, símbolo de tormento, de horror; símbolo de abjeção; constituía um verdadeiro horror dos horrores, era a lepra, era o câncer. Ela travessa todo o Pretório, as pessoas se espremem, afastam-se; as pessoas permitem que a cruz passe porque têm pânico de nela tocar. O silêncio se estabelece, todos ficam meio pasmos com o que vai acontecer, com o horror do que vai acontecer e imediatamente fazem silêncio. Ao entrar, a cruz divide a multidão. A partir daquele momento uma outra divisão que se estabelece na própria História: os que amam a cruz e os que odeiam a cruz!

Essa cruz que divide o povo, que já está dentro do Pretório, ela dividirá a Humanidade em duas humanidades: os amigos da cruz e os inimigos da cruz.

A cruz é um sinal de contradição. Quando o Menino Jesus nos braços virginais de Maria Santíssima, foi apresentado no Templo e esteve nas mãos do velho Simeão, que profetizou:

Este Menino veio para ser sinal de contradição, para salvação e ruína de muitos’ (Lc 2, 34)

É esta cruz que traz a contradição; de um lado ficam os ímpios que riem desse Rei, que toma como cetro um madeiro negro em forma de cruz, com a qual vai governar o mundo. Pelo contrário, as almas piedosas olhando para a cruz, com um senso de veneração tal que, em determinado momento a cruz será tomada como a glória das glórias e todos os reis da Terra vão tomar essa cruz para colocar no alto de suas coroas.

Contudo, no Juízo Final, quando o Filho do Homem aparecer no esplendor de sua glória, descendo do céu, trazendo junto sua cruz gloriosa, essa cruz dividirá a humanidade inteira no vale de Josafá: os bons estarão à direita e os maus à esquerda.

1 – Como Jesus recebe a cruz?

A cruz está diante de Nosso Senhor que contempla aquele instrumento de dor; como Ele a acolheu? Aceitou, já que não havia remédio; apenas aprovando o sofrimento?

Não. No caminho da Paixão, Jesus nos deu um luminoso e admirável exemplo.

Conta uma piedosa revelação que, quando recebeu das mãos dos carrascos a Cruz, Nosso Senhor se ajoelha sem auxílio de ninguém, com as forças quase desaparecidas, contudo, Ele está ali com disposição, com ardor, abraça a cruz e a beija amorosamente; e, tomando-a sobre os ombros, com invencível energia, a leva até o alto do Calvário.

2 – Aplicação : Sendo seguidores de Cristo, como tomamos as nossas cruzes?

Q ue exemplo para nós que somos cristãos, estamos marcados com este sinal que não se pode apagar e que nos é colocado na alma na hora do nosso batismo.

Somos nós seguidores de Cristo? Queremos seguir fielmente a Nosso Senhor? Então,devemos prestar atenção neste gesto dEle. Aí esta a cruz: com que amor Ele a abraça e mesmo antes de pô-la às costas a abraça e oscula. É essa cruz que Lhe vai servir de tormento, é nesta cruz que Ele será cravado e vai morrer; é também esta cruz que depois será venerada, adorada por toda a humanidade e por todos os séculos. É assim que Ele toma a Cruz que Deus Pai preparou!

E nós que somos cristãos, como tomamos as nossas cruzes? Que atitude tomamos em relação às cruzes que Deus nos manda? Por exemplo, as doenças; às vezes, dado que somos concebidos no pecado original, a doença nos colhe; será um simples mal estar, ou será algo mais grave que nos põe em perigo e em risco de vida? Será uma grande dor, será um mal que os médicos não descobrem? A doença é uma cruz: como eu me porto diante desta cruz chamada doença? Eu me porto como Jesus? Abraço esse mal que a Providência me envia com resignação, com amor? Ou eu tomo esta dor com horror, com insatisfação, com revolta, perguntando-me: por quê Deus permitiu que esse mal me atingisse ?

3 – Diante da cruz: paciência ou revolta

Mau negócio, desemprego, até mesmo a pobreza são circunstâncias da vida que constituem para mim uma cruz. Como tomo estas situações: será com amor, com paciência ou as tomo com revolta?

Orfandade. Pode ser que meus pais tenham morrido… A viuvez. Pode ser que eu tenha ficado só; casei e a certa altura perdi meu cônjuge. Como fico eu? Aceito com resignação ou me revolto? Às vezes, é o desprezo. Como aceito o desprezo? Tal como Jesus, que foi desprezado, como aceitou a cruz que lhe foi dada? Os incômodos que a nossa vida nos impõe, com seus inconvenientes, os males de uma vida áspera, o trato ácido; como eu aceito esses incômodos da vida?

A ingratidão: Eu faço o bem aqui, faço o bem lá, faço-o acolá, recebo em paga a ingratidão que magoa. Como tomo essa ingratidão? Mais não é só. Tem também as leis de Deus, as leis da Igreja, leis morais que formam, portanto, a minha consciência: elas me obrigam a um sacrifício, elas me obrigam a praticar as virtudes, obrigam-me a fugir das ocasiões próximas de pecado, elas me obrigam a não pecar. Como eu tomo essas dores que a lei moral impõem sobre mim?

Por fim, como pratico a lei de Deus no que diz respeito à moda? No mundo moderno, a moda vai impondo suas leis, e eu tenho dentro de mim as leis da moda e as leis de Deus. O que faço: dou as costas à lei de Deus e resolvo abraçar a moda porque é mais cômodo e mais unânime, pois sinto que as pessoas me olham, me aprovam e com isso sinto-me igual a todos, se bem que eu possa me sentir inteiramente contrário à lei de Deus. Mas pouco me importa… como pratico a lei de Deus neste ponto das modas? Eu aceito esse sofrimento, essa cruz que me é imposta por causa das leis morais? Devo compreender que tais cruzes vêm de Deus para mim, assim como Deus Pai quis o oceano de dores, sofrimentos e a morte de cruz para seu próprio Filho, para a glória Dele.

Nosso Senhor Jesus Cristo é inocente, Ele é a Inocência. Eu tenho meus pecados, minhas faltas, eu mereço isso tudo. Portanto, devo ter a noção de que bem aceitando essas cruzes, eu alivio as dores de Jesus Cristo e devo como Ele abraçar a minha cruz. E terminando esta meditação voltemo-nos ao Coração Imaculado de Maria, acabrunhado de aflição durante a Paixão de Jesus Cristo, dizendo: A Ó Minha Mãe, eu Vos agradeço por ter-me feito conhecer esses pontos a respeito da importância do amor à cruz. Concedei-me, ó Mãe Dolorosa, a graça de reagir tal qual seu divino Filho e Vós mesma, diante da cruz que a Ele se apresentou.

Ave ó cruz, salve ó cruz única esperança de salvação. É pela cruz que nós chegaremos à luz. Ó minha Mãe Santíssima dai-me a convicção e a força de vontade para abraçar todas as cruzes que me forem enviadas durante a minha vida.

Assim seja!

* * * * * * *

Referência: A meditação acima é do Mons. João Clá, Catedral da Sé, 1º de maio de 2004. sem revisão do autor

 

 

 

ABANDONA-TE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bendito seja Deus.
Bendito seja Seu Santo Nome.
Bendito seja Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem.
Bendito seja o Nome de Jesus.
Bendito seja Seu Sacratíssimo Coração.
Bendito seja o Seu Preciosíssimo Sangue.
Bendito seja Jesus, no Santíssimo Sacramento do Altar.
Bendito seja o Espírito Santo Paráclito.
Bendita seja a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima.
Bendita seja sua Santa e Imaculada Conceição.
Bendita seja sua gloriosa Assunção.
Bendito seja o Nome de Maria, Virgem e Mãe.
Bendito seja São José, seu castíssimo Esposo.
Bendito seja Deus, nos seus Anjos e nos seus Santos.

 

 

 

 

 

 

INDULGÊNCIAS
Escrito por ALESSANDRO MANOEL DA SILVA
        Todo pecado leva uma culpa e uma pena. A culpa é perdoada na confissão. A pena deve ser expiada nessa vida ou na outra. A Igreja tem o poder de perdoar esta pena através das indulgências.A indulgência é a remissão diante de Deus da pena temporal pelos pecados já perdoados no que se refere à culpa, que o fiel devidamente disposto e sob determinadas condições adquire mediante a intervenção da Igreja, a qual, como ministra da redenção, dispensa e aplica com autoridade o tesouro das expiações conquistadas por Cristo e pelos santos.A indulgência é parcial ou plenária, dependendo de se libera somente uma parte ou toda a pena temporal causada pelos pecados. Ninguém pode oferecer a indulgência que adquire por pessoas que ainda vivem. As indulgências parciais ou plenárias podem ser aplicadas aos defuntos como sufrágio.

Para que alguém seja capaz de adquirir as indulgências requer-se que seja batizado, não esteja excomungado, esteja em estado de graça pelo menos no final das obras prescritas e seja súdito do que tem autoridade para concedê-las.

Para que a pessoa, que é capaz de recebê-las, realmente as obtenha, deve ter a intenção, aos menos geral, de recebê-las, bem como a de realizar as obras prescritas, no tempo e do modo determinado pelo teor da concessão.

Para conseguir a indulgência plenária é necessário realizar a obra aplicada com indulgência e cumprir três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Sumo Pontífice. Requer-se, além disso, que se elimine qualquer afeto ao pecado, ainda que seja venial.

1 – … a confissão das faltas cotidianas ( pecados veniais ), é vivamente recomendada pela igreja. Com efeito, a confissão regular de nossos pecados veniais nos ajuda a formar a consciência, a lutar contra nossas más tendências, a deixar nos curar por Cristo, a progredir na vida do espírito. ( cf. Catecismo da Igreja Católica, 1458 ).

2 – O pecado venial deixa subsistir caridade, embora a ofenda e fira. ( cf. Catecismo da Igreja Católica, 1855 ).

3 – Comete-se pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento. ( cf. Catecismo da Igreja Católica, 1862 ).

As três condições mencionadas podem cumprir-se muitos dias antes ou depois de realizadas a obra prescrita; não obstante, convém que a comunhão e a oração pelas intenções do Sumo Pontífice, sejam feitas no mesmo dia em que se realiza a obra.

A condição da oração pelas intenções do Sumo Pontífice es cumpre plenamente recitando um Pai-nosso e uma Ave-Maria por suas intenções; apesar disto, cada um dos fiéis tem a liberdade de recitar outras orações, de acordo com a sua piedade e as sua devoções particulares.

Por meio da Igreja, é concedida ao fiel cristão que, pelo menos com o coração contrito realiza uma obra enriquecida com indulgência parcial, a remissão temporal da pena, proporcional à que ele recebe com sua ação.

A indulgência plenária pode ser adquirida somente uma vez ao dia, com exceção “In Articulo Mortis” ( em momento de morte ). A indulgência parcial pode ser adquirida muitas vezes durante o dia, a não ser que se expresse o contrário.

São dadas três condições de indulgências parciais ao fiel cristão que:

1 – No desempenho dos seus deveres e na paciência diante das dificuldades da vida levanta com humilde confiança a sua alma a Deus, acrescentando, ainda que só mentalmente, uma invocação piedosa;

2 – Guiado pelo espírito de fé emprega a si mesmo ou seus bens com espírito de misericórdia ao serviço dos seus irmãos necessitados;

3 – Espontaneamente se abstém de alguma coisa lícita e agradável a si por espírito de penitência.

Algumas orações e ações enriquecidas com indulgência parcial:

1 – Cada um dos atos de fé, esperança, caridade e contrição recitados com devoção de acordo com uma fórmula autorizada.

2 – A visita de adoração ao Santíssimo Sacramento.

3 – A oração ao Anjo da Guarda

4 – O “Ángelus” e o “Regina Cæli”, recitados no tempo correspondente.

5 – O “Alma de Cristo”.

6 – O ato de comunhão espiritual.

7 – O Credo

8 – A ação de ensinar ou aprender a doutrina cristã

9 – As ladainhas dos santos, da Santíssima Virgem Maria, etc.

10 – O “Magnificat”.

11 – O “Lembrai-vos”.

12 – O “Miserere”.

13 – A oração pelas vocações sacerdotais ou religiosas.

14 – A oração mental ou meditação

15 – A oração pelo Sumo Pontífice

16 – O terço rezado em particular.

17 – A leitura da Sagrada Escritura.

18 – A “Salve Rainha”.

19 – O sinal da cruz

20 – O “À vossa proteção”.

21 – O “Tantum ergo”.

22 – O “Te Deum”.

23 – O hino ao Espírito Santo.

24 – Na renovação das promessas batismais.

Algumas orações e ações enriquecidas com indulgência plenária:

1 – A visita de adoração ao Santíssimo, de meia hora pelo menos.

2 – A visita por devoção a alguma das quatro basílicas patriarcais de Roma: São Pedro, São Paulo Fora dos Muros, São João Latrão e Santa Maria a Maior: o dia da festa titular, qualquer dia de festa de preceito; uma vez ao ano ou num dia escolhido por cada um.

3 – A benção do Papa, dada “urbi et orbi”, recebida com piedade e devoção, mesmo que seja somente através do rádio ou da televisão.

4 – A visita aos cemitérios acompanhada de oração, ainda que só mental, pelos defuntos, e aplicada somente às almas do purgatório, do dia primeiro ao oito de novembro.

5 – A adoração da cruz, na sexta-feira santa durante a solene ação litúrgica.

6 – Nas primeiras comunhões, aos que a recebem e aos que assistem.

7 – Aos sacerdotes que celebram a sua primeira missa solene e aos féis que participam com devoção.

8 – Aos participantes de exercícios espirituais que durem pelo menos três dias.

9 – Aos que rezam o terço numa igreja, num oratório público, em família, comunidade religiosa ou numa associação piedosa.

10 – Aos que lêem a sagrada Escritura pelo menos durante meia hora.

11 – O “Te Deum” rezado numa celebração pública, no último dia do ano.

12 – O “Veni Creátor” rezado em celebração pública no primeiro dia do ano e no dia de Pentecostes.

13 – A Via Sacra, diante de estações legitimamente dispostas. De acordo com o uso comum a Via Sacra consta de quatorze leituras, às quais se somam algumas orações vocais. Isto não é indispensável; é suficiente a devota meditação da paixão e da morte do Senhor. A não ser que se esteja impedido, requer-se a passagem de uma estação à outra. Quando se trata de uma Via Sacra pública, basta que pelo menos quem a dirija passe de uma estação à outra, ficando os outros nos seus postos.

14 – Na renovação das promessas batismais, durante a celebração da Vigília Pascal e no aniversário do próprio batismo.

15 – A “Oração a Jesus crucificado (Olhai-me, bom Jesus), rezada devotamente diante do crucifixo, depois da comunhão em qualquer sexta-feira do tempo da Quaresma e do tempo da Paixão.

16 – O ato de reparação de acordo com a fórmula aprovada, recitado em celebração pública no dia do Sagrado Coração.

17 – O ato de consagração do gênero humano a Cristo Rei, de acordo com a fórmula aprovada, rezado numa celebração pública no dia de Cristo Rei.

18 – A visita à Catedral da diocese ou à própria paróquia, no dia da festa titular e no dia dois de agosto, (a não ser que o Ordinário do lugar determine outra data).

19 – A devota assistência à celebração litúrgica ao final de um congresso eucarístico ou de uma missão popular.

20 – “In artículo mortis” (em momento de morte), se não há um sacerdote que possa administrar os sacramentos e a benção apostólica com a indulgência plenária subseqüente, a Santa Igreja concede ao falecido, convenientemente disposto, a indulgência plenária, se ele, durante a sua vida, tiver rezado habitualmente algumas orações. Neste caso, esta condição supre as três condições previstas.

Alguns objetos de piedade enriquecidos com indulgências:

1 – A indulgência parcial é alcançada usando com devoção os objetos de piedade abençoados por um sacerdote de acordo com a fórmula prescrita. Estes objetos são: o crucifixo ou a cruz, o terço, o escapulário, as medalhas.

2 – Se estes objetos de piedade foram abençoados pelo Sumo Pontífice ou por um Bispo, pode-se alcançar a indulgência plenária usando-os devotamente na festa de São Pedro e de São Paulo, acrescentando qualquer forma aprovada de profissão de fé reconhecida e aceita.

Autor: ALESSANDRO MANOEL DA SILVA
Fonte: Veritatis Splendor

http://www.universocatolico.com.br/index.php?/indulgencias.html

 

 

 

 

 

 

Amor e solidão

“Só sei que aqui estou, e que o vale está muito silencioso, o sol está se pondo, não há um único ser humano à vista e, à medida que o escuro toma conta, eu poderia me tornar uma pessoa completamente esquecida, como se não existisse para o mundo. (Embora haja alguém que se lembra e de quem me lembro.) Poderia muito bem chegar um dia em que eu fosse invisível como se nunca tivesse existido, embora vivesse aqui no alto deste monte… E sei que ficaria perfeitamente satisfeito assim.
Quem pode saber alguma coisa sobre solidão se não tiver amado, e amado em sua solidão? O amor e a solidão precisam testar um ao outro no homem que tem a intenção de viver só: devem tornar-se uma só coisa nele, se não ele será apenas meia pessoa. Se eu não te tiver sempre comigo, de modo muito silencioso e perfeito, nunca serei capaz de viver sozinho de modo fecundo.”

Learning to Love, Journals Volume 6, de Thomas Merton.
Editado por Christine M. Bochen
(HarperSanFrancisco, San Francisco) 1997, p. 314-315.

 

 

 

 

 

PARTILHA PESSOAL

Sera que me tornei moralista?
Quando percebo que   uma conversa,  começa a  divulgar os erros da igreja com ironias e piadas…isto entristece meu coração.
Como voce reage diante deste tipo de dialogo?
Acrescenta a conversa os casos que sabe, “o padre que casou”, o padre que comprou uma cama de casal”, e faz disto piada e ironia?
Ja parou para pensar como pode estar gastando palavras em vão, e como este dialogo, não traz fruto algum para honra do nosso Deus e o respeito a santa igreja?
Perder tempo falando sobre isto, incluindo risos, piadas e ironias, deve entristcer o coração de Deus!
Quando temos amor ao nosso sobrenome, a nossa familia, procuramos não divulgar os atos errados daqueles que envergonharam este nome…parentes pedofilos, ladrões, assassinos…Geralmente não gostamos de falar sobre isto, porque abrange o nosso sobrenome.
E porque não nos encomodamos, em fazer isto com a santa igreja? Amamos o nome que usams de CATOLICOS?
Estou errada?
Me corrijam se estiver, com respostas concretas e claras!

(Sol)

sol2611@hotmail.com

 

 

 

 

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